sábado, abril 11, 2009

Os Desafinados

“O romantismo dos anos 60 embala a bossa nova em “Os Desafinados”, filme de Walter Lima Jr. No elenco, Rodrigo Santoro, Jair de Oliveira, Ângelo Paes Leme e André Moraes interpretam quatro amigos que têm um sonho: tocar no Carnegie Hall.

Motivados pelo “american dream”, eles juntam o pouco dinheiro que possuem, largam tudo e embarcam para os Estados Unidos, dispostos a conseguir um lugar ao sol. Junto deles vai o amigo Dico (Selton Mello), que sonha em se tornar cineasta e registra em filme cada momento importante da saga dos músicos.

Nova York não traz ao grupo o tão sonhado sucesso, mas muitas mudanças surgiram em suas vidas. Joaquim (Santoro), que conseguiu viajar graças ao dinheiro emprestado por sua mulher grávida (Alessandra Negrini), se apaixona perdidamente por Glória (Claudia Abreu). Cantora, ela acaba não apenas alojando o músico e seus amigos em seu apartamento, como também assumindo os vocais do grupo.

Até que Joaquim, sentindo-se culpado, decide voltar para os braços da mulher e de sua filha, prestes a nascer. Mas as coisas no Brasil não são mais como antes. A ditadura se instaurou e todas as manifestações de arte ficaram sob as garras da censura. É quando o romantismo da bossa nova cai por terra, para dar lugar à dureza.”

Fonte:http://g1.globo.com/Noticias/Cinema/0,,MUL740722-7086,00.html

Filme muito bom!!! Além do roteiro inteligente, muita bossa nova somada às imagens lindíssimas do Rio e Nova York dos anos 60! A história faz um misto de acontecimentos que envolve quem assiste. Interessante a abordagem que faz, resgatando o tempo do surgimento da Bossa Nova com o momento histórico daquele período. Sem contar com o excelente elenco, Selton Mello, Rodrigo Santoro, Cláudia Abreu, Alessandra Negrini, Jair de Oliveira, Ângelo Paes Leme e André Moraes. Vale a pena conferir!

Rádio com a trilha sonora do filme: http://app.radio.musica.uol.com.br/radiouol/cdcapa.php?codcd=010515-6

Destaque para "Quero você", "Caminhos Cruzados" e "Mente para Mim" :) Muiiiiito bom! Aproveitem!

quinta-feira, abril 09, 2009

Always Look on The Bright Side of Life =)

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Esta cena curtinha do filme "A Vida de Brian", do Monty Python, além de ser criativa transmite uma mensagem muito bacana! Hoje me lembrei dela depois de uma situação não muito agradável. Mas, agora, assitindo, fiquei mais leve! Rsss :) Na verdade é isso mesmo, existe sempre algum lado bom. Basta saber lidar com as adversidades de uma forma mais equilibrada. Talvez pensando que as dificuldades estão aí para nos fazer crescer, nos fazer buscar outro caminho, nos levar a outros lugares, nos permitir enxergar outras cores.. pode ser! A verdade é que sem elas perdemos a oportunidade de superar os desafios e também, claro, não teria muita graça se a todo momento fizesse bom tempo! Assim, podemos mostrar a nossa capacidade de lutar, de buscar a saída, de sermos criativos, enfim. Os problemas estão por toda parte, mas depende de cada um de nós o que fazer com eles! E... sempre olhar o lado bom da vida! É isso aí.

Abraço a todos! Bom Feriado de Páscoa!

quarta-feira, abril 08, 2009

Um GRANDE Novidade

Vem aí uma GRANDE novidade no Sarau Virtual


É tão grande que não cabe aqui para contar-lhe.


Aguarde!

terça-feira, abril 07, 2009

GRE-NAL das homenagens (um parêntese para o futebol)

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Aproveitando que o Sport Club Internacional (SCI) fez 100 anos neste dia 04 de abril, peço licença para, fugindo à regra do SARAU, fazer um comentário sobre futebol...

A rivalidade GRE-NAL é, reconhecidamente, uma das maiores e mais importantes do mundo. A própria FIFA assim o considera. Muitas publicações sérias investigam a história dessas duas bandeiras.

As rivalidades são naturais no esporte. Em nenhum outro lugar, porém, se observa uma bipolaridade tão radical entre duas instituições, que repercute tão fortemente no dia-a-dia dos rio-grandenses/gaúchos e seus descendentes.

Apesar de o esporte ser muito comumente associado à intolerância e à ignorância, e seja tantas vezes utilizado como forma de canalização e banalização da agressividade/violência, fato absolutamente lamentável, este mesmo esporte vezes requer e ensina a disciplina, o respeito, a auto-superação e tantas outras qualidades - o tal do espírito esportivo.

Aproveitando então o tema dos 100 anos do INTER, cito como curiosidade o parabéns recíproco trocado pelos rivais nas datas dos respectivos centenários.

Tudo começou em 15 de setembro 2003 quando o Grêmio de Futebol Porto-Alegrense fazia 100 anos de história.. O momento para o clube era ruim, o time principal estava quase caindo para a série B do campeonato nacional.

Os torcedores gremistas, porém, foram presenteados por uma homenagem cheia de bom humor, bonita e sincera, por parte do Colorado. E bastante inusitada:

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Velho Grêmio!

Bom dia, Grêmio!

Quero ser o primeiro a te abraçar, nesta data tão especial. Afinal, sou teu mais antigo parceiro. Nestes cem anos da tua vida, há mais de 94 sou testemunha presencial de uma profícua existência, como se diz nas solenidades.

Já te conheci taludinho, o que me custou alguns cascudos, como é comum nessas amizades de infância. Tudo bem, eu pude dar o troco e chegamos sem ressentimentos à maturidade. Nos meus primeiros anos, quando eu vivia em casa alugada, tu já eras o feliz proprietário de um fortim em bairro chique; depois fui eu que construí morada de concreto e alvenaria, cenário até de festas mundiais; a comparação te estimulou e aí te mudaste para a bela casa de hoje; pouco depois comecei a erguer o palácio onde vivo – e disso tudo lucraram os nossos milhões de amigos.

Dizem que somos opostos inconciliáveis, e de fato temos grandes diferenças. Não só de idade, mas de origem, e, por conseqüência de temperamento e jeito de ser. No geral és mais contido, eu mais extrovertido, embora, ultimamente, venhas revelando uma pontinha de incontida admiração pela minha popularidade.

Somos também muito parecidos (que não nos ouçam os mais radicais dos nossos seguidores), sobretudo na paixão pela nossa terra comum, o gosto de representá-la bem, e mais ainda na afeição sem limites por esse jogo incrível, em que uma bola de couro rola pelos mágicos tapetes verdes que habitamos e visitamos, onze pra cada lado, milhões pra cada lado.

Quando fizeste 50 anos, eu estava lá. Quase estraguei a festa, desculpa o mau jeito! (faz parte: não esqueçamos dos cascudos...). Quando eu fiz 60 anos, também te chamei para comemoração, que, por sinal, terminou em barraco, o que também faz parte. E a cada 15 de setembro eu vou na tua casa, como vais na minha a 04 de abril, e ali trocamos discursos em que, nós sabemos, o apreço é sincero. Dizem até que não podemos viver um sem o outro.

Tiveste grandes dias e amargas passagens nestes cem anos, como eu também, nos meus 94; a vida é assim, mais alto o coqueiro, maior é o tombo, diz a canção popular – mas ninguém nos acusará de termos jamais violado o nobre espírito que preside as competições esportivas. Com os bons e os maus resultados, aprendemos e também ensinamos que não há desonra nas derrotas de campo, e que a uma hora de amargura sempre se seguirá um momento de glória.
Recebe, velho Grêmio centenário, o abraço nonagenário do Internacional

FERNANDO CARVALHO
PRESIDENTE DO S.C.INTERNACIONAL

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Retribuindo a homenagem, sem abdicar das "alfinetadas", mas em tom amistoso, o Grêmio retribui, neste 04 de Abril de 2009, data dos 100 anos do Inter, a homenagem recebida alguns anos antes...

Diz assim..

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Ao Sport Club Internacional


Apesar dos 105 anos bem vividos, temos boa memória. E da mesma forma que fomos homenageados naquele 15 de setembro de 2003, aqui estamos para mostrar nossa admiração e respeito por tudo que conseguiste até hoje.

Mas antes de qualquer coisa, vamos contar um pouco dessa história.
Que nos desculpem os modestos, mas poucos podem contar tão bem essa trajetória quanto a gente. Ou esquecem que, naquele 4 de abril de 1909, nós já estávamos por aí, jogando bola?

E o mais incrível: isso não intimidou aqueles novatos que logo nos desafiavam para um match". Não dá pra dizer que foi o mais difícil dos jogos. Mas saímos de campo certos de que tamanha audácia haveria de nortear um futuro promissor. Dito e feito.

Com o passar do tempo, foi ficando claro que nossos caminhos sempre se cruzariam. Nosso destino eternizou o fato de que teus astros cintilam num céu sempre azul. E assim seguimos, na eterna busca de superar um ao outro. Depois da Baixada, os Eucaliptos. Daí veio o Olímpico, e então o Beira-Rio. Se aquela camisa 5 nos incomodou na década de 1970, a nossa camisa 7 apavorou na década seguinte.

Aliás, nada é mais bonito no futebol do que essa competição sadia, essa rivalidade. Porque gente como Tarciso, Eurico Lara, Airton Ferreira da Silva, Danrlei, entre tantos outros, gente que nunca vestiu vermelho, também ajudou e segue ajudando a escrever a história gloriosa do Sport Club Internacional.

E isso, podem ter certeza, dá um baita orgulho.
Nação Colorada, aceita de coração o parabéns de todos os Imortais Tricolores pelo teu Centenário.

GFPA

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Corro o grande risco de estar sendo parcial, mas vamos, acho a homenagem do internacional ao Grêmio bem mais bonita he he.. Isso realmente pouco importa.. O que vale aqui é o tal do espírito esportivo..
Realmente gosto do futebol e do esporte em geral, nao como meio de agressão de supostas "frentes inimigas", dessa forma tão vulgar como se encara.. Gosto de ver o espírito de superação, a tentativa de aprimoramento de si próprio através do adversário.. As estratégias inteligentes, esquemas táticos, a preparação física e psicológica, a aplicação técnica.

Que bom se fosse sempre assim na própria vida... O adversário como amigo, não aquele que quero vencer, mas aquele através do qual quero me auto superar nesse combate simulado. E fora isso, a própria alegria do jogo, do competir, de estar jogando ou "brincando" dentro de regras, ato que reflete a dignidade do atleta, além de todo o ganho em saúde que envolve o esporte corretamente praticado..

Ah, se fosse sempre assim



Governadores da Amazônia querem receber para não desmatar

RODRIGO VARGAS
da Agência Folha, em Cuiabá
(02/04/2009 - 10h20)


Governadores de cinco Estados da Amazônia Legal defenderam ontem, em Cuiabá, a necessidade da implantação de compensações financeiras aos produtores rurais que deixarem de desmatar. Os chamados "pagamentos por serviços ambientais", segundo os governadores, são a forma de conciliar "crescimento econômico com sustentabilidade ambiental".

A manifestação foi feita no primeiro dia da 14ª edição do Katoomba Meeting, um encontro internacional de lideranças políticas, pesquisadores e ambientalistas que discutirá, até sábado, a implantação de instrumentos de mercado para a redução das derrubadas e da emissão de gases-estufa.
Abarcados em um conjunto de propostas conhecido pela sigla Redd (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação) --e financiados com recursos internacionais--, tais pagamentos compensariam desde a recuperação de áreas já desmatadas até a manutenção de faixas intactas da floresta.

"O Redd é o mecanismo de que Mato Grosso precisa. Não estamos em confronto com a área ambiental. Precisamos encontrar uma saída para que os ativos ambientais que temos passem a valer alguma coisa", disse o governador do Estado, Blairo Maggi (PR), um dos maiores sojicultores do país.

O governo de Mato Grosso finaliza um projeto que prevê a oferta de serviços ambientais numa zona de 10 milhões de hectares no noroeste do Estado. A área de densa floresta é a que está sob maior pressão de desmate em Mato Grosso.

Ivo Cassol (sem partido), governador de Rondônia, reclamou por nunca ter recebido dos países ricos para ajudar a preservação. E lançou uma inusitada proposta: que os estrangeiros sejam obrigados a pagar uma taxa de 20% sobre "os ingressos e passagens da Copa de 2014", em benefício de um fundo ambiental.

"Muitos bilionários falam da preservação da Amazônia, mas nunca recebi um tostão sequer para preservar as nossas matas."

Para Eduardo Braga (PMDB), governador do Amazonas, os países ricos "devem financiar" a preservação da floresta, pois são os "grandes responsáveis" pelas emissões.

De bem

Em sua primeira visita oficial a Mato Grosso, o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) mencionou ontem o fato de ter se envolvido, à época de sua nomeação, em uma polêmica com o Maggi. Para Minc, a "desconfiança inicial" foi superada e o momento agora é de "parceria".

Cassol e Maggi questionavam em 2008 os números do desmatamento divulgados pelo Inpe e as medidas de controle anunciadas pela então ministra Marina Silva. Cassol chamou a ministra de "despreparada" e os dados de "mentirosos".

Ontem, disse que os governadores são injustamente responsabilizados "por tudo o que é negativo" em relação à Amazônia. "Se não podemos mais desmatar, tem que haver uma política alternativa", disse.

Minc participou ontem de uma reunião com representantes de entidades ligadas à agricultura e a pecuária. Ouviu pedidos de "suspensão de multas" e retirada de nomes que constam da lista de embargos do Ibama. E prometeu discutir um "pacto" com o setor.

"Queremos mais gado, mais agricultura e mais floresta. O Brasil é muito grande e permite que façamos simultaneamente todas estas coisas", disse o ministro, que encerrou a reunião justificando que precisaria voltar logo a Brasília. "Senão, não dou as licenças para o PAC e a Dilma [Rousseff, da Casa Civil] corta o meu pescoço."

Mais cedo, Minc anunciara que o governo federal começará a financiar a partir de maio projetos de preservação e recuperação ambiental com recursos do Fundo Amazônia, mecanismo de Redd proposto em 2007 pelo governo federal e que funciona com doações --a primeira, e por enquanto única, é de US$ 130 milhões da Noruega.

"A partir de maio eles começarão a ser aprovados e executados", prometeu Minc.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ambiente/ult10007u544586.shtml

quarta-feira, abril 01, 2009

Música Popular - UFSC!

Vejamos: a UFSC não tem curso de música (ainda!) e não oferece (mais) disciplinas diretamente relacionadas a música em seus cursos.
Se alguém quer estudar música na UFSC, não sobram muitas opções. Durante minha graduação em História, resolvi fazer meu TCC sobre música e, adivinhem: não havia um professor no departamento todo com quem trocar figurinhas de bibliografia e abordagens para estudos de música. Havia uma disciplina de História da MPB em no curso de Letras Português, mas acredito que não seja mais oferecida.
A boa notícia é que agora existe um curso extracurricular de estudos em Música Popular. Segue o anúncio.

O curso extracurricular "ESTUDOS EM MÚSICA POPULAR: formações e distribuição" está sendo oferecido pela UFSC e é voltado para músicos e universitários interessados em desenvolver a leitura crítica da música, além de trabalhos artísticos e acadêmicos. Não é necessário ser aluno da UFSC para realizar o curso!
Horário& local: sextas feiras, das 14:00 às 18:00, na sala 244, prédio A, CCE.
Data de início: 17/04. Encerramento: 10/07.
As inscrições cobrem todos os custos do curso e custarão R$100 e devem ser feitas na FAPEU, com a Carla.

Dúvidas, comentários? musicaufsc@gmail.com

FAVOR DIVULGAR A TODOS E TODAS QUE POSSAM TER INTERESSE!

segunda-feira, março 30, 2009

Poluição piora qualidade de 21% dos rios do País



Segundo relatório que analisa as bacias hidrográficas, em SP cinco rios e o Alto Tietê estão em pior situação

Lisandra Paraguassú, BRASÍLIA


O Brasil concentra 12% da água potável do mundo. Ainda assim, moradores de regiões metropolitanas convivem com rios que mal dão conta de suprir suas necessidades. Poluição e mau uso dos recursos hídricos transformaram a qualidade das águas de 21% dos rios do País. Em São Paulo, cinco rios e a Bacia do Alto Tietê estão entre os que têm a pior qualidade.


Os dados são do primeiro relatório de conjuntura dos recursos hídricos no Brasil, lançado ontem pela Agência Nacional de Águas (ANA), analisando a situação de todas as bacias hidrográficas brasileiras. De um modo geral, a qualidade das águas no País é boa - 9% foi considerada ótima e 70%, boa - com a ressalva de que boa parte dos rios do Centro-Oeste, Norte e sertão do Nordeste não foi avaliada.

Ainda assim, 7% das águas foram consideradas péssimas ou ruins e 14%, regulares. Esses rios concentram-se justamente nas áreas mais povoadas do País, caso da Bacia do Alto Tietê e das bacias do Gravataí e do Sinos, rios que abastecem a região metropolitana de Porto Alegre. "São situações reversíveis, mas o caso é que, apesar de haver algum tratamento do esgoto despejado nessas águas, não é uma prática universal. Seria necessário muito mais investimento", diz João Conejo, superintendente de Planejamento de Recursos Hídricos da ANA.

Atualmente, apenas 47% da população tem esgoto coletado. Desses, 53% são jogados nos rios sem qualquer tratamento, contribuindo para a poluição. As zonas metropolitanas de São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte e Vitória são as que estão hoje em situação mais preocupante. "No Estado de São Paulo a situação é bem razoável. Mas no caso do Tietê, por exemplo, quase não há dinheiro que consiga resolver o problema", diz Conejo.

ÁREA COMPROMETIDA

Outra medida de qualidade dos recursos hídricos no País é o índice de crescimento de algas e outras plantas aquáticas. Em águas com muita poluição, causada por esgoto não tratado, aumenta o número de nutrientes que provocam crescimento excessivo dessas plantas. Nesse caso, quase 30% das águas estão comprometidas e 7% tão comprometidas a ponto de haver mortandade de peixes.

Em açudes, reservatórios e lagoas, 45% dos pontos avaliados estão no nível mais alto de comprometimento.

O relatório revela ainda que, apesar da imensa quantidade de água potável disponível no País, a distribuição é irregular e o excesso de uso de algumas bacias é preocupante. Mais de 70% da água brasileira está na região amazônica. É aí que está a melhor situação do País, com todos os rios podendo atender sem problemas a demanda da população local.

Já as três bacias que atendem a região Nordeste e Minas Gerais são hoje as que apresentam situação mais preocupante. A chamada Atlântico Nordeste Oriental, que atende os Estados da Paraíba e Rio Grande do Norte e parte de Alagoas, Pernambuco e Ceará é a pior, com 91% em situação crítica, muito crítica ou preocupante. "É um problema de gestão. Não significa que não tem água, mas é necessário mais controle, mais fiscalização para que o uso inadequado não leve a uma deterioração total ou até à seca", afirma Conejo.

A Bacia do São Francisco é outro caso que requer cuidado: 44% em situação difícil. O superintendente explica que o Rio São Francisco tem muita água, mas a recebe basicamente nas cabeceiras, em Minas. Os rios da bacia no sertão nordestino são todos afluentes com pouca água, que secam.

Daí a defesa da transposição do rio. "Para levar água até essas regiões que o rio atravessa são necessárias obras", afirma o superintendente.

Fonte : http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090327/not_imp345620,0.php

domingo, março 29, 2009

Ária na quarta corda, Johann Sebastian Bach

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Para orquestra de câmera:



e.. Uma transcrição para o violão:
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sábado, março 28, 2009

Propriedade onde se encontra plantação de droga deve ser expropriada

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Fonte: Notícias do STF
Quinta-feira, 26 de Março de 2009
http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=105381
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Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal (STF) reformou, nesta quinta-feira (26), decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), e determinou que a União deve expropriar todo o imóvel, de mais de 25 hectares, de Olivinho Fortunato da Silva. Isso porque, na propriedade, a polícia encontrou uma área de cerca de 150 metros quadrados plantada de cannabis sativa, conhecida popularmente como maconha.

A Justiça de primeira instância condenou Olivinho a nove anos de reclusão, e determinou a expropriação de todo seu imóvel.

O TRF-1 acolheu um recurso do fazendeiro contra essa decisão, e determinou a expropriação apenas da parcela de terra onde foi encontrada a plantação ilegal. A União recorreu, então, ao Supremo, alegando afronta ao artigo 243 da Constituição, pedindo a expropriação de toda a propriedade rural. O dispositivo constitucional diz que “glebas” onde sejam encontradas culturas de drogas devem ser expropriadas e destinadas a assentamentos de colonos, para produção de alimentos e produtos medicamentosos, sem qualquer indenização ao proprietário.

Em seu voto, o ministro Eros Grau, relator do processo, frisou que o argumento dos advogados do fazendeiro, de que o termo “gleba”, constante do artigo 243 da Constituição, faria referência apenas à parcela do imóvel onde se encontrou a droga não é aceitável. “Gleba é área de terra, não porção ou parcela dessa área, é o imóvel, simplesmente”, disse o ministro.

O termo gleba, presente na Constituição Federal, só pode ser entendido como “propriedade”. E é essa propriedade que se sujeita à expropriação quando é encontrada plantação de drogas psicotrópicas. O preceito não fala na expropriação de áreas, mas sim da gleba em seu todo.

Todos os ministros presentes à sessão desta quinta-feira (26) acompanharam o relator.

MB/LF

quarta-feira, março 25, 2009

Frank Sinatra - Strangers in the night






"Lovers at first sight, in love forever"

Cinderela em Paris

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"Neste clássico indicado ao Oscar, Audrey Hepburn e Fred Astaire juntam seus talentos, cantando e dançando neste musical eterno. Quando a importante editora de uma revista de moda (Kay Thompson) e seu principal fotógrafo Dick Avery (Fred Astaire) escolhem uma livraria para sua própria sessão de fotos, Dick descobre o rosto encantador de balconista e filósofa amadora e Jo Stockton (Audrey Hepburn). Em Paris, Jo logo se transforma em top model global... E acba se apaixonando pelo fotógrafo que foi o primeiro a notar sua face luminosa e divertida. Filmado em locações em Paris, este romântico musical apresenta memoráveis canções de George e Ira Gershwin, incluindo 'Let's Kiss ans Make Up", "How Long Has This Been Going On?" e "Loves and She Loves".

terça-feira, março 24, 2009

No rádio.

É assim que funciona:
Parece um pouco pior do que quando dirigimos nosso carro funerário bem pelo meio daquela multidão gritando, enquanto ríamos daquela tempestade. Até que sejamos só ossos. Até que ficasse tão morno que nenhum de nós conseguisse dormir.
Então todo o isopor começou a derreter. Nós tentamos encontrar algumas palavras pra ajudar na decadência, mas nenhuma delas estava em casa.
Dentro de sua catacumba, um milhão de abelhas antigas começaram a picar nossos joelhos, enquanto estávamos ajoelhados, rezando pra que aquela doença deixasse aqueles que amamos e nunca mais voltasse.

E, no rádio, nós escutamos "November rain". O solo é realmente longo, mas é uma linda música. Nós a escutamos duas vezes, porque o DJ estava adormecido.

É assim que funciona:
Você é jovem até não ser mais. Você ama até não amar mais. Você tenta até não poder mais. Você ri até chorar. Você chora até rir. E todo mundo deve respirar até o último suspiro.

Não, é assim que funciona:
Você procura dentro de você, você pega as coisas de que gosta e tenta amar as coisas que pegou. E então você pega todo esse amor que você fez e crava em alguém, no coração de alguém, bombeando o sangue de outro alguém. E andando de braços dados você espera que ele não se machuque, mas mesmo se isso acontecer você simplesmente vai fazer tudo de novo.

E, no rádio, você escuta "November rain". Aquele solo é terrivelmente longo, mas é um bom refrão. Você escuta a música duas vezes, porque o DJ adormeceu.


http://vids.myspace.com/index.cfm?fuseaction=vids.individual&videoid=1388428

segunda-feira, março 23, 2009

Ministro Minc diz que termelétricas terão que compensar emissões de CO2

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Termelétricas terão que compensar emissões de CO2
Divulgação ASCOM - Assessoria de Comunicação do Ministério do meio Ambiente
http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=ascom.noticiaMMA&idEstrutura=8&codigo=4643
20/03/2009

O ministro Carlos Minc, do Meio Ambiente, disse que assinará no mês de abril portaria conjunta com o Ibama para alterar os procedimentos de licenciamento de termelétricas. Com a medida, esses empreendimentos serão obrigados a compensar as emissões de CO2.

"O Ibama só vai conceder licença de instalação das térmicas de óleo e carvão se o empreendedor fizer abatimento das emissões", disse Minc durante a solenidade de lançamento do Macrodiagnóstico da Zona Costeira e Marinha Brasileira, na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Segundo o ministro, a portaria vai definir as formas de compensação a serem adotadas que poderão se dar, por exemplo, a partir do plantio de árvores, de investimentos em energias alternativas como a eólica e a solar, sistemas de captura de carbono na atmosfera, entre outras. "Com a portaria os empreendedores terão que internalizar em seus custos os danos ambientais que provocam", defendeu Minc.

Para ele, hoje o país está muito atrasado em relação ao uso de energias eólica e solar. Ele defende que sejam adotadas medidas para aumentar a competitividade de energia limpa, como encarecer o custo das fontes de energia poluentes, para "torná-las mais acessíveis, mais baratas".

No dia 15 de abril o ministro pretende apresentar na reunião plenária do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) uma proposta de resolução sobre o tema. Com ela, o conselho poderá estender a estados e municípios a obrigatoriedade de compensação do gás carbônico emitido pelas térmicas.

ASCOM

domingo, março 22, 2009

BRASIL DEBATE COM VIZINHOS USO RACIONAL DE SUPER-RESERVA

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Parceria sobre Aquífero Guarani ilustra tema central do Fórum da Água. Bacia do Prata é objeto de tratados desde 1970.

Fonte: Estado de São Paulo., de 21 de março de 2009.

Representantes do Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina se reúnem no próximo mês para discutir novos rumos de um projeto voltado para o Aquífero Guarani - uma das maiores reservas subterrâneas de água doce do mundo. Com uma área de 1,2 milhão de km2, o aquífero tem um volume estimado de 45 milhões de litros.

Os quatro países finalizaram no mês passado a primeira fase de um estudo integrado sobre a região, concebido em 2000. Com financiamento de US$ 13,4 milhões do Fundo Global para o Meio Ambiente, o Projeto para a Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Aquífero Guarani fez um novo mapeamento da região, identificando, por exemplo, nascentes e pontos de poluição. A partir de agora, o projeto poderá ser transformado em um tratado novo ou ser incorporado a outros já existentes, como o do Mercosul ou o Tratado da Bacia do Prata.
"O conceito central do estudo é a troca permanente de informações para aprofundar o conhecimento técnico sobre o Aquífero Guarani", diz Vicente Andreu Guillo, coordenador do projeto no Brasil e secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente. "Mesmo assim, é comum dizer que o aquífero é mais famoso do que conhecido. O acervo é crescente, mas ainda insuficiente." Segundo Guillo, Brasil e Argentina já se comprometeram a desembolsar US$ 90 mil, cada um, para o projeto. Uma sede permanente foi montada em Montevidéu, no Uruguai.
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A gestão de recursos hídricos em regiões de fronteira também é o tema central do 5º Fórum Mundial da Água, que termina hoje, data em que também é celebrado o Dia Mundial da Água. O encontro, realizado a cada três anos, foi o mais expressivo desde o primeiro, no Marrocos, em 1997. Realizado em Istambul, na Turquia, o evento deste ano reuniu cerca de 27 mil participantes de 182 países, segundo a organização. Apenas a delegação brasileira tem cerca de 150 especialistas e políticos, a maior comitiva da América Latina.
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O interesse brasileiro é explicado pelos números. De acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA), o País tem 12% de toda a água doce do mundo e 56,9% da água superficial disponível na América do Sul. Boa parte é compartilhada com vizinhos. Um dos exemplos brasileiros de gestão de recursos hídricos é exatamente o Aquífero Guarani. O Brasil ainda tem em seu território a maior parte da Bacia Amazônica, compartilhada com mais seis vizinhos latinos e gerida pelo Tratado de Cooperação Amazônica. Outra importante bacia hidrográfica, a do Rio da Prata, tem acordos firmados desde a década de 1970.
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Segundo levantamento feito pela organização do Fórum Mundial da Água, há no mundo 274 aquíferos que se espalham pelos subterrâneos de nações limítrofes. Da mesma forma, foram identificadas 263 bacias hidrográficas em regiões de fronteira. Isso significa que pelo menos 75% de todos os países dividem rios com algum vizinho. Números que ajudam a identificar o tamanho do problema no caso de guerras por causa da água. Historicamente, porém, são poucos os conflitos gerados pela falta d’água. Nos últimos 60 anos, foram reportados mais de 300 acordos, contra 37 casos de violência. Mas outros números indicam que essas estatísticas poderão piorar no próximo centenário. Até 2075 estima-se que entre 3 bilhões e 7 bilhões de pessoas habitarão regiões com falta crônica de água. Essa população deve estar espalhada por até 60 países. Atualmente, 1,1 bilhão de pessoas não têm acesso à água potável. Os dados são da ONU, do Instituto Internacional de Água de Estocolmo e da Water Partners International.
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Dia Mundial da Água


Em 22 de março de 1992 a ONU (Organização das Nações Unidas) instituiu o "Dia Mundial da Água", publicando um documento intitulado "Declaração Universal dos Direitos da Água". Este texto apresenta uma série de medidas, sugestões e informações que servem para despertar a consciência ecológica da população e dos governantes para a questão da água.
Declaração Universal dos Direitos da Água

1.-A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão, é plenamente responsável aos olhos de todos.

2.-A água é a seiva de nosso planeta. Ela é condição essencial de vida de todo vegetal, animal ou ser humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura.

3.-Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia.

4.-O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.

5.-A água não é somente herança de nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como a obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras.

6.-A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.

7.-A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.

8.-A utilização da água implica em respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado.

9.-A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.

10.-O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.

sábado, março 21, 2009

Paulinho Moska - O que você faria?

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A quoi ça sert L´amour? Para que serve o amor?

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Tantos posts sobre o amor. Paulinho Moska, Edith Piaf.. e neste clima romântico de ser, acabei me recordando sobre um vídeo bem divertido sobre o assunto. Uma pequena ilustração sobre encontros e desencontros que permeiam os relacionamentos amorosos! A canção por acaso é interpretada por Edith Piaf! :) A animação francesa muito bem feita. Um desenho simples, porém criativo e cheio de significados!

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"A quoi ça sert, l'amour ?
On raconte toujours
Des histoires insensées
A quoi ça sert d'aimer ?
...
L'amour ne s'explique pas !
C'est une chose comme ça !
Qui vient on ne sait d'où
Et vous prend tout à coup
...
Moi, j'ai entendu dire
Que l'amour fait souffrir,
Que l'amour fait pleurer,
A quoi ça sert d'aimer ?
...
L'amour, ça sert à quoi ?
A nous donner d'la joie
Avec des larmes aux yeuxÂ…
C'est triste et merveilleux !
...
Pourtant on dit souvent
Que l'amour est décevant
Qu'il y a un sur deux
Qui n'est jamais heureuxÂ…
...
Même quand on l'a perdu
L'amour qu'on a connu
Vous laisse un gout du miel -
L'amour c'est éternel !
...
Tout ça c'est très joli,
Mais quand tout est fini
Il ne vous reste rien
Qu'un immense chagrinÂ…
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Tout ce qui maintenant
Te semble déchirant
Demain, sera pour toi
Un souvenir de joie !
...
En somme, si j'ai compris,
Sans amour dans la vie,
Sans ses joies, ses chagrins,
On a vécu pour rien ?
...
Mais oui! Regarde-moi !
A chaque fois j'y crois !
Et j'y croirait toujoursÂ…
Ça sert à ça l'amour !
...
Mais toi, tu es le dernier !
Mais toi' tu es le premier !
Avant toi y avait rien
Avec toi je suis bien !
...
C'est toi que je voulais !
C'est toi qu'il me fallait !
Toi que j'aimerais toujoursÂ…
Ça sert à ça l'amour !"

quinta-feira, março 19, 2009

Paulinho Moska - Do Amor




Não falo do amor romântico, aquelas
paixões meladas de tristeza e sofrimento.
Relações de dependência e
submissão, paixões tristes.
Algumas pessoas confundem isso com amor.
Chamam de amor esse querer escravo, e pensam que o amor é alguma coisa que pode ser definida, explicada, entendida, julgada.
Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro, antes de ser experimentado.
Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta.
A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado.
O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita.
O amor é um móbile.
Como fotografá-lo?
Como percebê-lo?
Como se deixar sê-lo?
E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine?
Minha resposta?
O amor é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores, o amor será sempre o desconhecido, a força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma
nova visão.
A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação.
O amor quer ser interferido, quer ser violado, quer ser transformado a cada instante.
A vida do amor depende dessa interferência.
A morte do amor é quando, diante do seu labirinto, decidimos caminhar pela estrada reta.
Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos, e nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim.
Não, não podemos subestimar o amor não podemos castrá-lo.
O amor não é orgânico.
Não é meu coração que sente o amor.
É a minha alma que o saboreia.
Não é no meu sangue que ele ferve.
O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito.
Sua força se mistura com a minha e nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu como se fossem novas estrelas recém-nascidas.
O amor brilha.
Como uma aurora colorida e misteriosa, como um crepúsculo inundado de beleza e despedida, o amor grita seu silêncio e nos dá sua música.
Nós dançamos sua felicidade em delírio porque somos o alimento preferido do amor, se estivermos também a devorá-lo.
O amor, eu não conheço.
E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu
abismo, me aventurando ao seu encontro.
A vida só existe quando o amor a navega.
Morrer de amor é a substância de que a Vida é feita.
Ou melhor, só se Vive no amor.
E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto.

segunda-feira, março 16, 2009

Um hino ao amor

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O Filme "UM HINO AO AMOR", uma biografia de Edith Piaf, foi para mim uma grata surpresa, destacando-se da média das obras do gênero não apenas em termos técnicos, na qualidade das interpretações e do roteiro, como na crueza das emoções, tão bem trabalhadas em cenas arrebatadoras e verossímeis. Tristeza, abandono, a crueldade da opinião pública; nas entrelinhas, o amor e a ternura, o desejo e o caráter. Enfim, uma obra desprovida de julgamentos morais ou daquele sentido comum de comiseração, autêntica como a vida real. Tempo muito bem empregado..

Novamente O Processo

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"Era necessário procurar compreender que esse grande organismo de justiça era de certo modo eterno em suas flutuações [...]; se alguém pretendia mudar nele alguma coisa era como tirar-se ele próprio o solo de sob seus pés e que ele mesmo é que se precipitava na queda enquanto o grande organismo, vendo-se apenas muito ligeiramente afetado por isso, conseguiria facilmente uma peça de reposição (sempre dentro de seu mesmo sistema) e permaneceria imutável se não acontecia que – e isto era até o mais verossímil – se tornava ainda mais fechado, ainda mais atento a tudo quanto acontecia, ainda mais severo, ainda pior”.

F.Kafka, The Trial

sábado, março 14, 2009

domingo, março 08, 2009

Pluie

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http://app.radio.musica.uol.com.br/radiouol/player/frameset.php?opcao=umamusica&nomeplaylist=004412-0_11%3C@%3ELa_Bicyclette%3C@%3EPluie%3C@%3EYves_

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Pluie- Linda Música para um domingo de tarde chuvosa como hoje.





A música fala de um encontro fortuito em um dia de chuva. É tarde de primavera. Está chovendo e duas pessoas se encontram ao acaso, cada uma sentada de um lado, no mesmo banco. Elas se olham, sentem uma cumplicidade envolvendo-as dentro da magia daquele instante e partem sem se falar.





Na primavera, sempre que chove, ele volta ao mesmo local na espera de reencontrá-la.




É a chuva em um momento fugaz de magia. Muito bonito!

Autobiográfica em terceira pessoa. (Um artista do sono)

É tarde da noite e ele dorme. Quando dorme, sonha. Por duas ou três vezes, um de seus sonhos se repetiu: sonhou ser um agente secreto. Não lembrava de detalhes, mas quando acordava, sabia que já havia sonhado aquilo antes.
Dentre as milhares de explicações possíveis para a repetição de seus sonhos, tendia fortemente a acreditar que eles eram uma recapitulação de pensamentos conscientes e inconscientes que prespassaram seu cérebro durante o dia, eram uma conferida e organizada nos caminhos de memória que seus neurônios criaram do momento em que acordou até o momento em que adormeceu (não adormecia em um momento, não caía no sono de sopetão: era um lento processo, do qual nunca se lembrava. Por que as pessoas não lembram dos minutos que antecedem o sono? o que acontece com nosso cérebro nesse meio tempo?). Não descartava de todo a hipótese da reencarnação e a das realidades paralelas.
Viu o Batman diversas vezes em diversas situações ao longo do dia, o que, em perspectiva, pode reforçar a relevância desse ícone cultural. Logo antes de dormir, foi à sala assistir cinco minutos de televisão, momentos precariamente ilustrados com um trecho do terceiro filme do homem-morcego. A título de curiosidade, o filme é muito ruim, apesar de seu elenco - Nicole Kidman!
Em meio às ondas de sono, pensa com seus botões que talvez vá sonhar com o Batman, hoje. Certamente seria um bom sonho. O Batman é um herói. Isso lembra de que ouviu Kinks, mais cedo: "celluloid heroes", o disco e a música. Será uma coincidência, e, em caso de negativa, por que isso aconteceu? Será que inconscientemente seu cérebro arquitetou essas relações? Afinal de contas, Já sabia que o filme do batman passaria na televisão, só não lembrava o horário e o canal. Na verdade não lembrava nem do fato, mas vendo o filme a memória veio à tona. Pareceu-lhe claro e lógico: claro, viu o Batman na internet, e quando teve de escolher um CD escolheu justamente o que menciona heróis de celulóide na capa e nas letras. Quando não conseguia dormir, pelo calor e por alguma agonia inexplicada que sente, às vezes, desde criança, teve vontade de assistir TV, sabendo inconscientemente que veria o Batman após algumas zapeadas.
Talvez isso aumente suas chances de um bom sonho. Talvez seja uma coincidência ao acaso. Talvez seja tudo armação do inconsciente. Talvez seja destino. Talvez sejam as três coisas - se é que destino e acaso possam coexistir.
Quando esteve em frente à televisão, teve uma vontade gigante de expressar-se artisticamente, de criar. Talvez seja coincidência. Talvez um anjo ou um espírito tenham soprado a idéia em seu ouvido. talvez seu cérebro tenha usado esse artifício como uma maneira de botá-lo em frente ao computador, fazê-lo escrever, refletir sobre esses assuntos e mostrar à sua consciência o poder que o inconsciente tem. Talvez o anjo queira demonstrar sua existência. Talvez o espírito. Talvez nada disso, ou talvez simplesmente nada. Agora, não importa. Ele está adormecido, e talvez sonhe que é um agente secreto pela quarta vez - ou milésima, das quais 996 ele não se recorda.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Ensaio sobre a Cegueira

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Muito emocionante esse vídeo
Juro que fui às lágrimas

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terça-feira, fevereiro 24, 2009

Calvin & Hobbes

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Calvin et Hobbes :p

Eu também quero um sanduíche! =]

sábado, fevereiro 21, 2009

Despedida ao trema

Carta de despedida ao trema, que circula pela net.

"Carta de despedida...

Como outros já fizeram, quero também me despedir do trema, cuja morte foi anunciada por decreto a partir de 1º de janeiro. Não uma, mas cinqüenta e cinco vezes quero me despedir desta acentuação antiqüíssima e usada com tanta freqüência.

Fomos argüidos a respeito? Claro que não!

A ambigüidade que tínhamos para decidir se queríamos usar o trema ou não numa frase nos foi seqüestrada para sempre. Afinal, a ubiqüidade do trema nunca nos foi exigida. Quem deve se beneficiar com esta tão inconseqüente medida?

Creio que tão somente os alcagüetes, os delinqüentes e os sangüinários, justamente aqueles que não estão eqüidistantes, como nós, dos valores eqüiláteros da Sociedade. Vocês já se argüiram sobre as conseqüências do fim do trema para os pingüins, os sagüis e os eqüestres? Estes perderão uma identidade conquistada desde a antigüidade.

E o que dizer do nosso herói Anhangüera, que vivia tranqüilo com o seu nome indígena? Com a liqüidação do trema, a pronúncia do seu nome não será mais exeqüível. Os nossos papos de chopp nunca mais serão os mesmos, pois a tão freqüente lingüicinha acebolada vai desagüar num sangüíneo esquecimento.

O que vai acontecer com o grão de bico com gergelim, agora sem o liqüidificador para prepará-lo? Ah, meu Deus! Tenha piedade de nós!

Nunca mais poderemos escrever que "a última enxagüada é a que fica"! Não sei se vou agüentar a perda da eloqüência, em termos de estilo literário, que o trema trazia à Última Flor do Lácio. É preciso que averigüemos se haverá seqüelas futuras! E para onde vai a grandiloqüência dos lingüistas? Haja ungüento para suportar tamanha dor!

O que podemos esperar em seqüência? Será que não se poderia esperar mais um qüinqüênio para que fossem melhor avaliados os líqüidos benefícios desta mudança?

Portanto, pela qüinqüagésima vez, a minha voz exangüe se une à dos bilíngües e trilíngües como eu, cuja consangüinidade lingüística e contigüidade sintática se revolta ante tamanha iniqüidade. Pedir que nos apazigüemos, para mim é inexeqüível, pois falta-nos tranqüilidade diante de tamanha delinqüência gramatical..

Portanto é com dor no coração que lhe dou este meu adeus desmilingüido, mas pelo menos uma coisa me apazigüa, pois quando a saudade bater, sei que vou poder revê-lo quando estiver lendo alguma coisa em alemão.

Adeus, meu trema querido!"

(R_MORTIMER)

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Mais um ponto para ser discutido sobre Obama

Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009
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Clóvis Rossi - Folha de São Paulo


A posse de Favreau; agora, ObamaPARIS – Foi bonita a festa de posse de Jon Favreau. Jon quem? Favreau é um talentosíssimo garoto de 27 anos, que se tornou o redator dos discursos do candidato Barack Obama e passou os últimos dois meses escrevendo o texto que o agora presidente dos Estados Unidos pronunciou ontem, certamente o discurso de maior audiência planetária de todos os tempos (atenção, a música sempre foi do candidato, agora presidente; Favreau só põe a letra).Não, não estou criticando, não estou dizendo que Obama é retórica e nada mais. Vivo da palavra faz 45 anos. Logo, tenho por ela carinho absoluto e o mais profundo respeito por quem, como Favreau e Obama, sabe usá-las.Mais: foi a palavra que levou um negro, o primeiro, à Casa Branca, o que é dizer muito.Além disso, segundo perfil de Favreau publicado pelo jornal espanhol "El País" na segunda-feira, o redator de Obama, quando foi convidado a trabalhar com ele, explicou qual era a sua filosofia para escrever discursos: "Um discurso pode alargar o círculo de pessoas a quem importa esta coisa [a política]. É como dizer à pessoa que sofreu: "Te escuto. Mesmo que estejas decepcionado e cínico a respeito da política do passado, porque tens boas razões para sentir-se assim, podemos ir na direção correta. Só te peço uma oportunidade".Bem feitas as contas, foi essa a razão do triunfo de Obama. A maioria dos americanos quis lhe dar, precisava lhe dar a oportunidade de desfazer (ou, ao menos, diminuir) o cinismo com a política, que não é, de resto, característica apenas dos norte-americanos.O discurso de posse foi a mais solene tentativa de refazer a maneira de ver a política, além de uma tremenda reafirmação de orgulho americano. A partir de hoje, sai Favreau, entra Obama, sai a palavra, entra a ação.Entrevista de Favreau no El País publicada em: http://fontanablog.blogspot.com/2009/01/el-escritor-de-los-sueos-de-obama-el.html

O homem por trás dos discursos de Obama
21/janeiro/2009 por Carlos Belmonte




Quando Jon Favreau conheceu Barack Obama em 2004, tinha apenas 23 anos. Atualmente ele é o principal encarregado de redigir os discursos do presidente americano, que ganhou notoriedade justamente por seus dotes de oratória. Co-autor do discurso de posse, Favreau -a quem todos chamam de Favs- conheceu Obama em julho de 2004, durante a convenção do Partido Democrata, em Boston. Foi um momento crucial para o então desconhecido senador de Illinois, cujo discurso - “Não há EUA brancos e EUA negros, mas sim os Estados Unidos da América”- o lançou na cena política nacional. Favreau, que trabalhava na campanha do então candidato presidencial John Kerry, estava atrás do palco enquanto Obama ensaiava seu discurso. Em um determinado momento, interrompeu Obama com a advertência de ele que deveria trocar uma frase, para evitar a repetição de palavras. “Ele ficou me olhando um tanto confuso, como dizendo “quem é este jovem?’”, lembrou Favreau ao “New York Times”. A derrota de Kerry o deixou desempregado, mas bons contatos o recomendaram ao atual chefe. À época, Obama tinha bastante tempo livre. Ele e Favreau se conheceram bem. O redator se impregnou logo da retórica do político, para redigir discursos que refletem sua voz. A julgar pelos resultados, o entrosamento entre eles funciona perfeitamente. Segundo o porta-voz da transição, Favreau, Obama e seu assessor político David Axelrod se reuniram antes do feriado de Ação de Graças (no fim de novembro) para tratar do discurso de posse. No início de dezembro, Favreau concluiu a primeira versão. Após conversas adicionais com Obama, Favreau e sua equipe elaboraram uma nova versão durante as festas de fim de ano. Nos dois últimos finais de semana, o presidente editou e alterou o texto, após receber novos comentários e sugestões de Axelrod e Favreau. Ontem, segundo o “Times”, assessores de Obama disseram ter consultado também o historiador David McCullough, Doris Kearns Goodwin (biógrafa do presidente Lincoln) e Ted Sorensen (redator de discursos do presidente Kennedy). Sobre seus antecessores encarregados de redigir os discursos presidenciais, Favreau confessa que a favorita é Peggy Noonan, que trabalhou para Ronald Reagan. E elogiou também Michael Gerson, que trabalhou para George W. Bush.

Quem tem medo de Obama

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"Todos sabemos que há uma "geografia da comunicação" e sabemos quais são os limites para a manifestação do pensamento crítico e independente dentro do mainstream da grande mídia. Incomoda-me todo esse furor em torno da figura de Barack Obama, porque é cedo para avaliar o que ele fará como 44º presidente dos Estados Unidos. Será que fará algo verdadeiramente substancial? Estou farto de ver o belo sorriso de Obama e perceber como ele sabe manejar o capital simbólico para ter ganhos políticos. Oxalá Obama não seja um mero cínico travestido em "bom moço", em garoto cool fabricado nas entranhas do império para revigorar a imagem do país no cenário internacional. Será ele o homem perfeito para contrabalançar o declínio moral provocado por Bush apenas para abrir um novo caminho para os "interesses" do establishment norte-americano? Será ele o "grande homem" de Taine ou um novo Mefisto? Segue abaixo um texto que traz uma análise controversa sobre Obama. Como toda voz herética, talvez provoque desconforto. Espero que gostem. Afinal, é bom respirar idéias diferentes e não ficar restrito ao poder imensurável do pensamento único."
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Cristiano Pinheiro de Paula Couto
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ELEIÇÕES EUA
Quem tem medo de Obama

Aclamado pela mídia, a futura política de Obama permanece incerta. Ele é negro, mas não é baiano. E muito menos arretado. O novo presidente mostrarará ao mundo o que que a baiana tem?
Paulo Cannabrava Filho (para o Le Monde Diplomatique Brasil)
(12/12/2008)

É impressionante o comportamento da mídia brasileira em relação às eleições nos Estados Unidos. Em nenhum outro país, nem nos EUA, deu-se tanto espaço para o evento. Além do exagero da cobertura, a imprensa trata o tema como espetáculo e criam um clima de expectativa tal como se aguardássemos a chegada de um novo Messias.
Candidato favorito também na Europa, acolhido pela mídia espetáculo como em nenhuma outra eleição presidencial estadunidense. A opinião pública espera que o multiculturalismo e o multilateralismo nas relações regionais e mundiais ganhem força. Pode ser, e isso é positivo.
No Brasil há mais gente torcendo por Obama do que por Lula nas últimas eleições presidenciais. Os articulistas de plantão invocam as origens do novo presidente norte-americano para alentar a esperança de que ele salvará a humanidade da atual crise no cassino financeiro mundial. Na Bahia, como se fosse um baiano arretado, ganhou até letra de reggae.
O título acima não é uma interrogante. Ele define uma reflexão de quem realmente tem medo de Barak Obama.
Era uma vez...
Obama ganha as eleições nos Estados Unidos. Desta vez não haverá fraude em favor dos republicanos. Uma eleição limpa, na medida da hipocrisia do establishment estadunidense. Obama não será assassinado e governará com maioria democrata nas duas casas legislativas. É o candidato do sistema. Até o Financial Time expressou apoio explícito ao candidato. Voz uníssona de todos os grandes conglomerados de mídia relacionados com as megacorporações financeiras, industriais e comunicacionais de caráter global. Ganha a eleição e governa porque assim quer, o complexo militar industrial aliado à indústria criativa, os dois maiores formadores do PIB estadunidense. A atual crise do sistema sequer tomou rumos e não será suplantada sem um clima psicossocial favorável.
Será que essa gente ficou boazinha de uma hora para outra e vai entrar na onda da construção de outro mundo possível? Aquele mundo que sonhamos e pelo qual lutamos nos fóruns alternativos? Será que o agravamento da crise sistêmica do capitalismo globalizado levará a um reordenamento na concepção de desenvolvimento e de governo mundial?
Nas vésperas do 11 de setembro, data em que as torres símbolos em Nova York foram atingidas, o “son of a Bush”, o herdeiro - tanto nas petroleiras como na presidência -, havia feito um dramático discurso solicitando aprovação de um astronômico orçamento para o projeto denominado Guerra nas Estrelas, necessário para mover a economia em crise. Ele dizia algo como: a guerra (nas estrelas) ou a guerra. O congresso negou-lhe aprovação. Dias depois, o desabamento das torres deu-lhe o pretexto para iniciar a sua guerra. Sua, do Dick Scheney, da Halliburton, da Boeing, da GE etc. A guerra da rapina do petróleo iraquiano e das rotas de petróleo e heroína da Ásia Central.
O governo do Bush filho foi um desastre sob todos os pontos de vista. Agravou a crise econômica e moral, com efeitos devastadores na auto-estima da população estadunidense e na imagem dos Estados Unidos, no consciente e inconsciente dos terráqueos, notadamente entre os parceiros da governança mundial. E como se não bastasse, veio a quebra financeira do cassino global. O sistema e a liderança dos EUA não tinham mais como sustentar-se.
A campanha sucessória, a eleição e posse do novo presidente servem para promover a necessária reversão de expectativas na psique coletiva estadunidense e mundial. Obama é o ícone perfeito: jovem, moderno, culto e negro, com ascendentes na África - parece mesmo um baiano arretado.
O candidato republicano é exatamente seu inverso: velho, conservador, retrógrado, inculto e branco. Infeliz até no nome: Cain, o primeiro assassino. Sua vice é uma caricatura do que ele representa. Uma dupla sem qualquer chance de empolgar o eleitorado e menos ainda a opinião pública mundial. Deve haver uma razão para isso.
Obama: bicho papão?
O capitalismo consumista ainda tem muito fôlego, e os EUA não têm como viver fora dele. Uma sociedade mal informada, revestida de fundamentalismo religioso, educada para consumir é facilmente envolvida por uma campanha que enfatiza questões abstratas, à volta ao espírito norte-americano. É necessário afugentar o efeito da crise, cuja conseqüência tem sido o empobrecimento da classe média, eternamente endividada e estressada com o susto da quebradeira das financeiras. A eleição é oportuna para o diversionismo necessário para a reversão das expectativas.
Não há porque deixar de ter medo de Obama. Sua eleição servirá para recuperar o bom desempenho dos EUA. A história nos tem ensinado que os Estados Unidos do pós-guerra têm sido governado pelo complexo aparato de informação e comunicação montado para servir aos interesses dos grandes conglomerados empresariais. Os presidentes, como regra, têm sido meros fantoches. Obama é negro, mas não é baiano. É diplomado por Harvard. É da estirpe de Collin Powell e Condoleezza Rice. Negros assimilados e cooptados, perfeitamente integrados ao establishment.
Com relação à América Latina, essa crença de que Obama é o novo Messias, fará com que a população baixe a guarda facilitando aos operadores do sistema recuperar terreno perdido com a desmoralização provocada por Bush. Esse é o perigo.Até aqui no Brasil já se percebe que uma coisa é conquistar o governo e outra é governar com independência, realizar projetos que alterem os rumos do sistema. Tudo continuará como dantes. Para organizar a transição e a equipe do novo governo foram chamados Warren Buffett, megainvestidor, o mais rico do planeta, Timothy Geithner, homem do Fed, e Rahm Emanuel, agente do Mossad. Lá, como aqui, a esperança será sufocada pela frustração.

sábado, janeiro 10, 2009

Diplomacia e o Jazz


Por meio de um artigo que encontrei na revista de diplomacia, conheci um artista de Jazz, o qual, desde então, causou grande impressão! Uma preciosidade ao nosso alcance no Youtube! :) Achei interessante e busquei o escrito desta diplomata para deixar aqui! O ensaio fala sobre o trabalho dos diplomatas fazendo uma analogia com o jazz! Para lá de pitoresco e muito sincero!
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A Diplomacia e o Piano de Jazz: Between The Devil and The Deep Blue Sea-
Mônica Tambelli
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"Ora, a prudência – que inclui a cautela e a paciência entre seus predicados – não se torna um luxo imprudente em tempos de crise e de exasperação? Não se trata de um conceito nostálgico ou, de qualquer forma, simplório e insuficiente? No século XXI, a palavra de ordem não seria mais bem inteligência, no sentido de agilidade, esperteza, decisão – não vacilar, em vez de pensar para agir? Não é o que pede a New Diplomacy, whatever it may be? Ora, um diplomata não se faz apenas na prudência. O diplomata não é apenas um bom executor de planos fixos e predeterminados. Como já dizia o Dr. Eliezer, “jacaré vacilou virou bolsa. E se bobear, de plástico.” O diplomata precisa ser pianista de jazz e usar o improviso a seu favor. Willie “the lion” Smith ao piano. Echoes of Spring. Ninguém questiona o que é virtude. Todos sabem que aquilo, sim, é excelência. São poucos minutos de suspensão... não exatamente um exercício de cautela e paciência. Muita técnica, sem dúvida, mas com tempero.

Anitra’s Dance. Famosa mazurca composta por Edvard Grieg. Peça clássica. Música erudita. Perfeitamente interpretada pelas maiores orquestras do mundo, com muita técnica. Agora pense na mesma partitura sobre o piano de Donald Lambert. Ele até se segura em uma interpretação by the book nos primeiros 30 ou 40 segundos, mas depois mostra a que veio. A intensidade de sua interpretação traduz o porquê de ele ser conhecido pianista de jazz, e não solista erudito. Ele conjuga a teoria musical com a sabedoria prática. Encontro de mestres? Claude Bolling. Excelente pianista de jazz que gostava de experimentar coisas. Pinchas Zukerman. Violinista da mais alta técnica clássica que topou experimentar umas coisas. Resultado: Slavonic Dance em Suíte para Violino e Piano de Jazz. Interpretação perfeita da teoria musical ao violino combinada ao mais puro improviso inspirado do piano de jazz. No jazz, os dois músicos conjugaram suas visões distintas e ampliaram o leque de possibilidades. Fica claro o bom uso de intuição e adaptabilidade. É sempre mais fecundo o debate aberto às mais variadas idéias...


Diplomacia encerra em si muito da essência do jazz. Este não é música padronizada ou produzida em série. O jazz é música de executantes. Tudo nele está subordinado à individualidade dos músicos, ou deriva de uma situação em que o executante era o senhor. Ser diplomata, muitas vezes, será comparável ao que John Coltrane contava sobre a experiência de tocar com Thelonious Monk: “I always had to be alert with Monk, because if you didn’t keep aware all the time of what was going on you’d suddenly feel as if you’d stepped into an empty elevator shaft”.


A diplomacia é arte com toques de ciência, prática para além da teoria. Reúne conhecimento, criatividade, intuição e coragem na defesa dos interesses do Estado. Trata-se de um saber-fazer, combinação de aparência ambígua entre o intelectual e o material, equilibrada pela phronesis. A atividade tem como atributos não apenas o conhecimento, mas também a produção de resultados adequados à pólis. O diplomata não busca a verdade imutável, mas a construção de possibilidades que garantam a sobrevivência e a prosperidade do Estado.

Como o pianista de jazz, o diplomata observa as circunstâncias e constrói o entendimento até mesmo em situações bastante improváveis, com base em acomodação de interesses e escolhas um tanto incompatíveis. É a arte do possível, sem regras predeterminadas, usando a teoria e a técnica como aliadas, mas não se prendendo a elas apenas. Tocar piano não é só técnica, muito menos em se tratando do piano de jazz. Para se conseguir ser um Thelonious Monk (bom, primeiro seria necessário ter nascido Thelonious Monk... mas aí já é outra história), para se tocar como ele, ou como um Fats Waller, ou um Count Basie, é preciso agir com várias virtudes: conhecimento, sabedoria, coragem, prudência e ousadia.


A diplomacia é arte e, como tal, é inefável; não se presta a ser reduzida em códigos. O piano de jazz tampouco. Como bem explica Hobsbawn, o jazz é o que os músicos individuais fizerem dele, e cada músico tem a sua voz própria. “Têm sido feitas tentativas no sentido de rastrear a evolução e os cruzamentos para maior fertilidade dos estilos instrumentais em formas de diagramas, porém mesmo o mais lúcido dos diagramas parece um mero esquema de fiação para uma instalação elétrica complexa.”1 Não se pode fazer a teoria do piano de jazz; isso não existe porque não existe uma teoria da ação. Não há teoria do piano de jazz como não pode haver teoria da diplomacia: ambos são fazeres, ações. Rex Stewart, trompetista, uma vez disse: “Olha, quando uma banda entra em um estúdio para uma sessão de gravação, os caras não sentam para serem sinceros. Eles tocam apenas. Só isso.” Seria algo como “você faz e pronto”. Ok, mas não adianta só querer sair fazendo, você precisa ter passado muitas horas ali em cima dos pretos e brancos do teclado para poder conhecer o caminho em que está pisando... sem saber o que está fazendo, não sai nem o bife, meu caro.


O piano de jazz, como a diplomacia, trata do efêmero, mutável, precisa de malícia além de técnica e experiência. Ou você realmente acha que Lionel Hampton e Nat King Cole combinam seus teclados em Central Avenue Breakdown só com teoria? As virtudes do pianista e do diplomata: temperar o conhecimento com prudência e coragem. O piano de jazz e a diplomacia são, ambos, exemplos de agir virtuoso. São ofícios exercidos com conhecimento de causa e domínio de meios. Tratam de combinar reflexão e ação. Consistem em fazer com método e conhecimento do porquê das coisas. Art Tatum era um que sabia bem o porquê das coisas e entendia que há um jeito novo para Rosetta a cada dia. Por sinal, você já ouviu Art Tatum tocando Over the Rainbow? A música que em outros pianos ou orquestras chega a ser besta, ganha outra dimensão. Vale a pena.


Na diplomacia e no jazz, a realidade é multifacetada e resiste a ser “engarrafada” em um único conceitoteórico. O real tem a característica de ser fugidio. “It is no disgrace for a man, even a wise man, to learn many things and not to be too rigid”. Como bem disse Guimarães Rosa, até “o vento experimenta / o que irá fazer / com sua liberdade”. É um pouco o que acontece com o fazer diplomático. É um pouco o que acontece quando o pianista senta para tocar jazz. Com bom senso, tanto o diplomata quanto o pianista movem-se dentro do espaço que lhes é dado e experimentam as melhores possibilidades para trabalhar harmoniosamente o momento presente. Da mesma forma que Cosmo de Medice dizia “Bisogna entrare nel male per fare politica”, para tocar jazz ao piano não se pode ter medo de “deturpar” as regras e reagrupar as notas inusitadamente. Ao piano, não se quer o bem, o perfeito. O que se pretende é o interessante, quase como em um exercício de virtù, de mérito, valor, talento, astúcia e energia. Ao piano, existem os limites do teclado, mas com uma enorme gama de possibilidades e, dentro daquelas opções, enfrenta-se a liberdade, sem receita. Com receita, pode-se tocar música clássica. Jazz de verdade envolve conhecimento sensorial; envolve experimentar, brincar, ousar e não fugir dos perigos.

O fazer diplomático, na mesma linha, não pode aprisionar o real com pré-conceitos, deve lidar com as possibilidades. É arte, com seus segredos a serem descobertos. É sabedoria prática, envolvendo o homem como um todo. Em diplomacia, não basta aprender a negociar e sair repetindo o que aprendeu. Deve-se seguir T. S. Eliot e explorar e depois voltar ao ponto de partida, sem jamais parar de explorar. Saber tomar a decisão adequada sobre as coisas tem significado prático, deve-se desenvolver a capacidade de antecipar as conseqüências das escolhas dos agentes políticos. Levar em conta não somente o imediato e o contingente, mas também perceber as conseqüências.


O piano de jazz, como a diplomacia, trata do efêmero, mutável, precisa de malícia além de técnica e experiência. No jazz, o piano não reproduz pura e simplesmente o pensar. O que se disse do estadista: “a fecundidade do inesperado supera grandemente a experiência”, pode-se dizer do pianista de jazz. Não se toca jazz ao piano sem criatividade, adaptabilidade, intuição e faro. Talvez por isso a mãe de Mary Lou Williams não quisesse que filha ficasse apenas nas lições de piano e a levasse a jam sessions para ouvir muitos músicos e diferentes estilos. A Srª. Williams tinha medo de que sua filha ficasse como ela, presa ao papel, incapaz de soltar a criatividade. Mary Lou, de fato, não virou uma concertista, mas “the gigging piano gal from East Liberty” com sua genial interpretação swingada de Margie... muita arte e ciência.


Sabe o Fats Waller? Quem diria... estudou piano clássico e órgão. Quando criança, ele sabia de cor toda a obra de Bach para órgão. Quando cresceu, encantou-se com o stride piano de James P. Johnson e com os improvisos de Willie “the lion” Smith. Hoje Fats é considerado o melhor pianista do estilo stride que já existiu. Não foi para ouvir a perfeição de Bach que Al Capone o mandou seqüestrar... o gângster sabia das coisas, queria mesmo era passar três dias ouvindo Squeeze Me, Numb Fumblin’, You look good to me, Ain’t Misbehavin’ e muito mais no stride piano de Fats. E o pianista tocou. E se divertiu tocando, por três dias, na festa de aniversário do gângster. Agora diz que não é virtuoso?


Se virtuoso é “aquele capaz de compreender e de agir” porque sabe que disso depende a fortuna (ou o resultado), devemos reconhecer que um bom diplomata, assim como um bom pianista de jazz, deve ser um virtuoso. Com swing ou bebop, em qualquer estilo, o diplomata eficiente será um Erroll Garner tocando I’m Confessin’; um Chick Corea em Lisa ou Armando’s Rhumba; um Oscar Peterson em Night and Day ou Satin Doll... e como ação não tem teoria... nem muita sinestesia para explicar o que as mãos de Willie “the lion” Smiths fazem com Morning Air."


1HOBSBAWN, Eric. História Social do Jazz. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990, p. 131.


Carolina Shout- Willie The Lion Smith
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