quarta-feira, março 25, 2009

Cinderela em Paris

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"Neste clássico indicado ao Oscar, Audrey Hepburn e Fred Astaire juntam seus talentos, cantando e dançando neste musical eterno. Quando a importante editora de uma revista de moda (Kay Thompson) e seu principal fotógrafo Dick Avery (Fred Astaire) escolhem uma livraria para sua própria sessão de fotos, Dick descobre o rosto encantador de balconista e filósofa amadora e Jo Stockton (Audrey Hepburn). Em Paris, Jo logo se transforma em top model global... E acba se apaixonando pelo fotógrafo que foi o primeiro a notar sua face luminosa e divertida. Filmado em locações em Paris, este romântico musical apresenta memoráveis canções de George e Ira Gershwin, incluindo 'Let's Kiss ans Make Up", "How Long Has This Been Going On?" e "Loves and She Loves".

terça-feira, março 24, 2009

No rádio.

É assim que funciona:
Parece um pouco pior do que quando dirigimos nosso carro funerário bem pelo meio daquela multidão gritando, enquanto ríamos daquela tempestade. Até que sejamos só ossos. Até que ficasse tão morno que nenhum de nós conseguisse dormir.
Então todo o isopor começou a derreter. Nós tentamos encontrar algumas palavras pra ajudar na decadência, mas nenhuma delas estava em casa.
Dentro de sua catacumba, um milhão de abelhas antigas começaram a picar nossos joelhos, enquanto estávamos ajoelhados, rezando pra que aquela doença deixasse aqueles que amamos e nunca mais voltasse.

E, no rádio, nós escutamos "November rain". O solo é realmente longo, mas é uma linda música. Nós a escutamos duas vezes, porque o DJ estava adormecido.

É assim que funciona:
Você é jovem até não ser mais. Você ama até não amar mais. Você tenta até não poder mais. Você ri até chorar. Você chora até rir. E todo mundo deve respirar até o último suspiro.

Não, é assim que funciona:
Você procura dentro de você, você pega as coisas de que gosta e tenta amar as coisas que pegou. E então você pega todo esse amor que você fez e crava em alguém, no coração de alguém, bombeando o sangue de outro alguém. E andando de braços dados você espera que ele não se machuque, mas mesmo se isso acontecer você simplesmente vai fazer tudo de novo.

E, no rádio, você escuta "November rain". Aquele solo é terrivelmente longo, mas é um bom refrão. Você escuta a música duas vezes, porque o DJ adormeceu.


http://vids.myspace.com/index.cfm?fuseaction=vids.individual&videoid=1388428

segunda-feira, março 23, 2009

Ministro Minc diz que termelétricas terão que compensar emissões de CO2

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Termelétricas terão que compensar emissões de CO2
Divulgação ASCOM - Assessoria de Comunicação do Ministério do meio Ambiente
http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=ascom.noticiaMMA&idEstrutura=8&codigo=4643
20/03/2009

O ministro Carlos Minc, do Meio Ambiente, disse que assinará no mês de abril portaria conjunta com o Ibama para alterar os procedimentos de licenciamento de termelétricas. Com a medida, esses empreendimentos serão obrigados a compensar as emissões de CO2.

"O Ibama só vai conceder licença de instalação das térmicas de óleo e carvão se o empreendedor fizer abatimento das emissões", disse Minc durante a solenidade de lançamento do Macrodiagnóstico da Zona Costeira e Marinha Brasileira, na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Segundo o ministro, a portaria vai definir as formas de compensação a serem adotadas que poderão se dar, por exemplo, a partir do plantio de árvores, de investimentos em energias alternativas como a eólica e a solar, sistemas de captura de carbono na atmosfera, entre outras. "Com a portaria os empreendedores terão que internalizar em seus custos os danos ambientais que provocam", defendeu Minc.

Para ele, hoje o país está muito atrasado em relação ao uso de energias eólica e solar. Ele defende que sejam adotadas medidas para aumentar a competitividade de energia limpa, como encarecer o custo das fontes de energia poluentes, para "torná-las mais acessíveis, mais baratas".

No dia 15 de abril o ministro pretende apresentar na reunião plenária do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) uma proposta de resolução sobre o tema. Com ela, o conselho poderá estender a estados e municípios a obrigatoriedade de compensação do gás carbônico emitido pelas térmicas.

ASCOM

domingo, março 22, 2009

BRASIL DEBATE COM VIZINHOS USO RACIONAL DE SUPER-RESERVA

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Parceria sobre Aquífero Guarani ilustra tema central do Fórum da Água. Bacia do Prata é objeto de tratados desde 1970.

Fonte: Estado de São Paulo., de 21 de março de 2009.

Representantes do Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina se reúnem no próximo mês para discutir novos rumos de um projeto voltado para o Aquífero Guarani - uma das maiores reservas subterrâneas de água doce do mundo. Com uma área de 1,2 milhão de km2, o aquífero tem um volume estimado de 45 milhões de litros.

Os quatro países finalizaram no mês passado a primeira fase de um estudo integrado sobre a região, concebido em 2000. Com financiamento de US$ 13,4 milhões do Fundo Global para o Meio Ambiente, o Projeto para a Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Aquífero Guarani fez um novo mapeamento da região, identificando, por exemplo, nascentes e pontos de poluição. A partir de agora, o projeto poderá ser transformado em um tratado novo ou ser incorporado a outros já existentes, como o do Mercosul ou o Tratado da Bacia do Prata.
"O conceito central do estudo é a troca permanente de informações para aprofundar o conhecimento técnico sobre o Aquífero Guarani", diz Vicente Andreu Guillo, coordenador do projeto no Brasil e secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente. "Mesmo assim, é comum dizer que o aquífero é mais famoso do que conhecido. O acervo é crescente, mas ainda insuficiente." Segundo Guillo, Brasil e Argentina já se comprometeram a desembolsar US$ 90 mil, cada um, para o projeto. Uma sede permanente foi montada em Montevidéu, no Uruguai.
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A gestão de recursos hídricos em regiões de fronteira também é o tema central do 5º Fórum Mundial da Água, que termina hoje, data em que também é celebrado o Dia Mundial da Água. O encontro, realizado a cada três anos, foi o mais expressivo desde o primeiro, no Marrocos, em 1997. Realizado em Istambul, na Turquia, o evento deste ano reuniu cerca de 27 mil participantes de 182 países, segundo a organização. Apenas a delegação brasileira tem cerca de 150 especialistas e políticos, a maior comitiva da América Latina.
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O interesse brasileiro é explicado pelos números. De acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA), o País tem 12% de toda a água doce do mundo e 56,9% da água superficial disponível na América do Sul. Boa parte é compartilhada com vizinhos. Um dos exemplos brasileiros de gestão de recursos hídricos é exatamente o Aquífero Guarani. O Brasil ainda tem em seu território a maior parte da Bacia Amazônica, compartilhada com mais seis vizinhos latinos e gerida pelo Tratado de Cooperação Amazônica. Outra importante bacia hidrográfica, a do Rio da Prata, tem acordos firmados desde a década de 1970.
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Segundo levantamento feito pela organização do Fórum Mundial da Água, há no mundo 274 aquíferos que se espalham pelos subterrâneos de nações limítrofes. Da mesma forma, foram identificadas 263 bacias hidrográficas em regiões de fronteira. Isso significa que pelo menos 75% de todos os países dividem rios com algum vizinho. Números que ajudam a identificar o tamanho do problema no caso de guerras por causa da água. Historicamente, porém, são poucos os conflitos gerados pela falta d’água. Nos últimos 60 anos, foram reportados mais de 300 acordos, contra 37 casos de violência. Mas outros números indicam que essas estatísticas poderão piorar no próximo centenário. Até 2075 estima-se que entre 3 bilhões e 7 bilhões de pessoas habitarão regiões com falta crônica de água. Essa população deve estar espalhada por até 60 países. Atualmente, 1,1 bilhão de pessoas não têm acesso à água potável. Os dados são da ONU, do Instituto Internacional de Água de Estocolmo e da Water Partners International.
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Dia Mundial da Água


Em 22 de março de 1992 a ONU (Organização das Nações Unidas) instituiu o "Dia Mundial da Água", publicando um documento intitulado "Declaração Universal dos Direitos da Água". Este texto apresenta uma série de medidas, sugestões e informações que servem para despertar a consciência ecológica da população e dos governantes para a questão da água.
Declaração Universal dos Direitos da Água

1.-A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão, é plenamente responsável aos olhos de todos.

2.-A água é a seiva de nosso planeta. Ela é condição essencial de vida de todo vegetal, animal ou ser humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura.

3.-Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia.

4.-O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.

5.-A água não é somente herança de nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como a obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras.

6.-A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.

7.-A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.

8.-A utilização da água implica em respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado.

9.-A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.

10.-O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.

sábado, março 21, 2009

Paulinho Moska - O que você faria?

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A quoi ça sert L´amour? Para que serve o amor?

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Tantos posts sobre o amor. Paulinho Moska, Edith Piaf.. e neste clima romântico de ser, acabei me recordando sobre um vídeo bem divertido sobre o assunto. Uma pequena ilustração sobre encontros e desencontros que permeiam os relacionamentos amorosos! A canção por acaso é interpretada por Edith Piaf! :) A animação francesa muito bem feita. Um desenho simples, porém criativo e cheio de significados!

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"A quoi ça sert, l'amour ?
On raconte toujours
Des histoires insensées
A quoi ça sert d'aimer ?
...
L'amour ne s'explique pas !
C'est une chose comme ça !
Qui vient on ne sait d'où
Et vous prend tout à coup
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Moi, j'ai entendu dire
Que l'amour fait souffrir,
Que l'amour fait pleurer,
A quoi ça sert d'aimer ?
...
L'amour, ça sert à quoi ?
A nous donner d'la joie
Avec des larmes aux yeuxÂ…
C'est triste et merveilleux !
...
Pourtant on dit souvent
Que l'amour est décevant
Qu'il y a un sur deux
Qui n'est jamais heureuxÂ…
...
Même quand on l'a perdu
L'amour qu'on a connu
Vous laisse un gout du miel -
L'amour c'est éternel !
...
Tout ça c'est très joli,
Mais quand tout est fini
Il ne vous reste rien
Qu'un immense chagrinÂ…
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Tout ce qui maintenant
Te semble déchirant
Demain, sera pour toi
Un souvenir de joie !
...
En somme, si j'ai compris,
Sans amour dans la vie,
Sans ses joies, ses chagrins,
On a vécu pour rien ?
...
Mais oui! Regarde-moi !
A chaque fois j'y crois !
Et j'y croirait toujoursÂ…
Ça sert à ça l'amour !
...
Mais toi, tu es le dernier !
Mais toi' tu es le premier !
Avant toi y avait rien
Avec toi je suis bien !
...
C'est toi que je voulais !
C'est toi qu'il me fallait !
Toi que j'aimerais toujoursÂ…
Ça sert à ça l'amour !"

quinta-feira, março 19, 2009

Paulinho Moska - Do Amor




Não falo do amor romântico, aquelas
paixões meladas de tristeza e sofrimento.
Relações de dependência e
submissão, paixões tristes.
Algumas pessoas confundem isso com amor.
Chamam de amor esse querer escravo, e pensam que o amor é alguma coisa que pode ser definida, explicada, entendida, julgada.
Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro, antes de ser experimentado.
Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta.
A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado.
O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita.
O amor é um móbile.
Como fotografá-lo?
Como percebê-lo?
Como se deixar sê-lo?
E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine?
Minha resposta?
O amor é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores, o amor será sempre o desconhecido, a força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma
nova visão.
A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação.
O amor quer ser interferido, quer ser violado, quer ser transformado a cada instante.
A vida do amor depende dessa interferência.
A morte do amor é quando, diante do seu labirinto, decidimos caminhar pela estrada reta.
Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos, e nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim.
Não, não podemos subestimar o amor não podemos castrá-lo.
O amor não é orgânico.
Não é meu coração que sente o amor.
É a minha alma que o saboreia.
Não é no meu sangue que ele ferve.
O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito.
Sua força se mistura com a minha e nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu como se fossem novas estrelas recém-nascidas.
O amor brilha.
Como uma aurora colorida e misteriosa, como um crepúsculo inundado de beleza e despedida, o amor grita seu silêncio e nos dá sua música.
Nós dançamos sua felicidade em delírio porque somos o alimento preferido do amor, se estivermos também a devorá-lo.
O amor, eu não conheço.
E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu
abismo, me aventurando ao seu encontro.
A vida só existe quando o amor a navega.
Morrer de amor é a substância de que a Vida é feita.
Ou melhor, só se Vive no amor.
E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto.

segunda-feira, março 16, 2009

Um hino ao amor

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O Filme "UM HINO AO AMOR", uma biografia de Edith Piaf, foi para mim uma grata surpresa, destacando-se da média das obras do gênero não apenas em termos técnicos, na qualidade das interpretações e do roteiro, como na crueza das emoções, tão bem trabalhadas em cenas arrebatadoras e verossímeis. Tristeza, abandono, a crueldade da opinião pública; nas entrelinhas, o amor e a ternura, o desejo e o caráter. Enfim, uma obra desprovida de julgamentos morais ou daquele sentido comum de comiseração, autêntica como a vida real. Tempo muito bem empregado..

Novamente O Processo

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"Era necessário procurar compreender que esse grande organismo de justiça era de certo modo eterno em suas flutuações [...]; se alguém pretendia mudar nele alguma coisa era como tirar-se ele próprio o solo de sob seus pés e que ele mesmo é que se precipitava na queda enquanto o grande organismo, vendo-se apenas muito ligeiramente afetado por isso, conseguiria facilmente uma peça de reposição (sempre dentro de seu mesmo sistema) e permaneceria imutável se não acontecia que – e isto era até o mais verossímil – se tornava ainda mais fechado, ainda mais atento a tudo quanto acontecia, ainda mais severo, ainda pior”.

F.Kafka, The Trial

sábado, março 14, 2009

domingo, março 08, 2009

Pluie

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http://app.radio.musica.uol.com.br/radiouol/player/frameset.php?opcao=umamusica&nomeplaylist=004412-0_11%3C@%3ELa_Bicyclette%3C@%3EPluie%3C@%3EYves_

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Pluie- Linda Música para um domingo de tarde chuvosa como hoje.





A música fala de um encontro fortuito em um dia de chuva. É tarde de primavera. Está chovendo e duas pessoas se encontram ao acaso, cada uma sentada de um lado, no mesmo banco. Elas se olham, sentem uma cumplicidade envolvendo-as dentro da magia daquele instante e partem sem se falar.





Na primavera, sempre que chove, ele volta ao mesmo local na espera de reencontrá-la.




É a chuva em um momento fugaz de magia. Muito bonito!

Autobiográfica em terceira pessoa. (Um artista do sono)

É tarde da noite e ele dorme. Quando dorme, sonha. Por duas ou três vezes, um de seus sonhos se repetiu: sonhou ser um agente secreto. Não lembrava de detalhes, mas quando acordava, sabia que já havia sonhado aquilo antes.
Dentre as milhares de explicações possíveis para a repetição de seus sonhos, tendia fortemente a acreditar que eles eram uma recapitulação de pensamentos conscientes e inconscientes que prespassaram seu cérebro durante o dia, eram uma conferida e organizada nos caminhos de memória que seus neurônios criaram do momento em que acordou até o momento em que adormeceu (não adormecia em um momento, não caía no sono de sopetão: era um lento processo, do qual nunca se lembrava. Por que as pessoas não lembram dos minutos que antecedem o sono? o que acontece com nosso cérebro nesse meio tempo?). Não descartava de todo a hipótese da reencarnação e a das realidades paralelas.
Viu o Batman diversas vezes em diversas situações ao longo do dia, o que, em perspectiva, pode reforçar a relevância desse ícone cultural. Logo antes de dormir, foi à sala assistir cinco minutos de televisão, momentos precariamente ilustrados com um trecho do terceiro filme do homem-morcego. A título de curiosidade, o filme é muito ruim, apesar de seu elenco - Nicole Kidman!
Em meio às ondas de sono, pensa com seus botões que talvez vá sonhar com o Batman, hoje. Certamente seria um bom sonho. O Batman é um herói. Isso lembra de que ouviu Kinks, mais cedo: "celluloid heroes", o disco e a música. Será uma coincidência, e, em caso de negativa, por que isso aconteceu? Será que inconscientemente seu cérebro arquitetou essas relações? Afinal de contas, Já sabia que o filme do batman passaria na televisão, só não lembrava o horário e o canal. Na verdade não lembrava nem do fato, mas vendo o filme a memória veio à tona. Pareceu-lhe claro e lógico: claro, viu o Batman na internet, e quando teve de escolher um CD escolheu justamente o que menciona heróis de celulóide na capa e nas letras. Quando não conseguia dormir, pelo calor e por alguma agonia inexplicada que sente, às vezes, desde criança, teve vontade de assistir TV, sabendo inconscientemente que veria o Batman após algumas zapeadas.
Talvez isso aumente suas chances de um bom sonho. Talvez seja uma coincidência ao acaso. Talvez seja tudo armação do inconsciente. Talvez seja destino. Talvez sejam as três coisas - se é que destino e acaso possam coexistir.
Quando esteve em frente à televisão, teve uma vontade gigante de expressar-se artisticamente, de criar. Talvez seja coincidência. Talvez um anjo ou um espírito tenham soprado a idéia em seu ouvido. talvez seu cérebro tenha usado esse artifício como uma maneira de botá-lo em frente ao computador, fazê-lo escrever, refletir sobre esses assuntos e mostrar à sua consciência o poder que o inconsciente tem. Talvez o anjo queira demonstrar sua existência. Talvez o espírito. Talvez nada disso, ou talvez simplesmente nada. Agora, não importa. Ele está adormecido, e talvez sonhe que é um agente secreto pela quarta vez - ou milésima, das quais 996 ele não se recorda.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Ensaio sobre a Cegueira

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Muito emocionante esse vídeo
Juro que fui às lágrimas

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terça-feira, fevereiro 24, 2009

Calvin & Hobbes

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Calvin et Hobbes :p

Eu também quero um sanduíche! =]

sábado, fevereiro 21, 2009

Despedida ao trema

Carta de despedida ao trema, que circula pela net.

"Carta de despedida...

Como outros já fizeram, quero também me despedir do trema, cuja morte foi anunciada por decreto a partir de 1º de janeiro. Não uma, mas cinqüenta e cinco vezes quero me despedir desta acentuação antiqüíssima e usada com tanta freqüência.

Fomos argüidos a respeito? Claro que não!

A ambigüidade que tínhamos para decidir se queríamos usar o trema ou não numa frase nos foi seqüestrada para sempre. Afinal, a ubiqüidade do trema nunca nos foi exigida. Quem deve se beneficiar com esta tão inconseqüente medida?

Creio que tão somente os alcagüetes, os delinqüentes e os sangüinários, justamente aqueles que não estão eqüidistantes, como nós, dos valores eqüiláteros da Sociedade. Vocês já se argüiram sobre as conseqüências do fim do trema para os pingüins, os sagüis e os eqüestres? Estes perderão uma identidade conquistada desde a antigüidade.

E o que dizer do nosso herói Anhangüera, que vivia tranqüilo com o seu nome indígena? Com a liqüidação do trema, a pronúncia do seu nome não será mais exeqüível. Os nossos papos de chopp nunca mais serão os mesmos, pois a tão freqüente lingüicinha acebolada vai desagüar num sangüíneo esquecimento.

O que vai acontecer com o grão de bico com gergelim, agora sem o liqüidificador para prepará-lo? Ah, meu Deus! Tenha piedade de nós!

Nunca mais poderemos escrever que "a última enxagüada é a que fica"! Não sei se vou agüentar a perda da eloqüência, em termos de estilo literário, que o trema trazia à Última Flor do Lácio. É preciso que averigüemos se haverá seqüelas futuras! E para onde vai a grandiloqüência dos lingüistas? Haja ungüento para suportar tamanha dor!

O que podemos esperar em seqüência? Será que não se poderia esperar mais um qüinqüênio para que fossem melhor avaliados os líqüidos benefícios desta mudança?

Portanto, pela qüinqüagésima vez, a minha voz exangüe se une à dos bilíngües e trilíngües como eu, cuja consangüinidade lingüística e contigüidade sintática se revolta ante tamanha iniqüidade. Pedir que nos apazigüemos, para mim é inexeqüível, pois falta-nos tranqüilidade diante de tamanha delinqüência gramatical..

Portanto é com dor no coração que lhe dou este meu adeus desmilingüido, mas pelo menos uma coisa me apazigüa, pois quando a saudade bater, sei que vou poder revê-lo quando estiver lendo alguma coisa em alemão.

Adeus, meu trema querido!"

(R_MORTIMER)

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Mais um ponto para ser discutido sobre Obama

Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009
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Clóvis Rossi - Folha de São Paulo


A posse de Favreau; agora, ObamaPARIS – Foi bonita a festa de posse de Jon Favreau. Jon quem? Favreau é um talentosíssimo garoto de 27 anos, que se tornou o redator dos discursos do candidato Barack Obama e passou os últimos dois meses escrevendo o texto que o agora presidente dos Estados Unidos pronunciou ontem, certamente o discurso de maior audiência planetária de todos os tempos (atenção, a música sempre foi do candidato, agora presidente; Favreau só põe a letra).Não, não estou criticando, não estou dizendo que Obama é retórica e nada mais. Vivo da palavra faz 45 anos. Logo, tenho por ela carinho absoluto e o mais profundo respeito por quem, como Favreau e Obama, sabe usá-las.Mais: foi a palavra que levou um negro, o primeiro, à Casa Branca, o que é dizer muito.Além disso, segundo perfil de Favreau publicado pelo jornal espanhol "El País" na segunda-feira, o redator de Obama, quando foi convidado a trabalhar com ele, explicou qual era a sua filosofia para escrever discursos: "Um discurso pode alargar o círculo de pessoas a quem importa esta coisa [a política]. É como dizer à pessoa que sofreu: "Te escuto. Mesmo que estejas decepcionado e cínico a respeito da política do passado, porque tens boas razões para sentir-se assim, podemos ir na direção correta. Só te peço uma oportunidade".Bem feitas as contas, foi essa a razão do triunfo de Obama. A maioria dos americanos quis lhe dar, precisava lhe dar a oportunidade de desfazer (ou, ao menos, diminuir) o cinismo com a política, que não é, de resto, característica apenas dos norte-americanos.O discurso de posse foi a mais solene tentativa de refazer a maneira de ver a política, além de uma tremenda reafirmação de orgulho americano. A partir de hoje, sai Favreau, entra Obama, sai a palavra, entra a ação.Entrevista de Favreau no El País publicada em: http://fontanablog.blogspot.com/2009/01/el-escritor-de-los-sueos-de-obama-el.html

O homem por trás dos discursos de Obama
21/janeiro/2009 por Carlos Belmonte




Quando Jon Favreau conheceu Barack Obama em 2004, tinha apenas 23 anos. Atualmente ele é o principal encarregado de redigir os discursos do presidente americano, que ganhou notoriedade justamente por seus dotes de oratória. Co-autor do discurso de posse, Favreau -a quem todos chamam de Favs- conheceu Obama em julho de 2004, durante a convenção do Partido Democrata, em Boston. Foi um momento crucial para o então desconhecido senador de Illinois, cujo discurso - “Não há EUA brancos e EUA negros, mas sim os Estados Unidos da América”- o lançou na cena política nacional. Favreau, que trabalhava na campanha do então candidato presidencial John Kerry, estava atrás do palco enquanto Obama ensaiava seu discurso. Em um determinado momento, interrompeu Obama com a advertência de ele que deveria trocar uma frase, para evitar a repetição de palavras. “Ele ficou me olhando um tanto confuso, como dizendo “quem é este jovem?’”, lembrou Favreau ao “New York Times”. A derrota de Kerry o deixou desempregado, mas bons contatos o recomendaram ao atual chefe. À época, Obama tinha bastante tempo livre. Ele e Favreau se conheceram bem. O redator se impregnou logo da retórica do político, para redigir discursos que refletem sua voz. A julgar pelos resultados, o entrosamento entre eles funciona perfeitamente. Segundo o porta-voz da transição, Favreau, Obama e seu assessor político David Axelrod se reuniram antes do feriado de Ação de Graças (no fim de novembro) para tratar do discurso de posse. No início de dezembro, Favreau concluiu a primeira versão. Após conversas adicionais com Obama, Favreau e sua equipe elaboraram uma nova versão durante as festas de fim de ano. Nos dois últimos finais de semana, o presidente editou e alterou o texto, após receber novos comentários e sugestões de Axelrod e Favreau. Ontem, segundo o “Times”, assessores de Obama disseram ter consultado também o historiador David McCullough, Doris Kearns Goodwin (biógrafa do presidente Lincoln) e Ted Sorensen (redator de discursos do presidente Kennedy). Sobre seus antecessores encarregados de redigir os discursos presidenciais, Favreau confessa que a favorita é Peggy Noonan, que trabalhou para Ronald Reagan. E elogiou também Michael Gerson, que trabalhou para George W. Bush.

Quem tem medo de Obama

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"Todos sabemos que há uma "geografia da comunicação" e sabemos quais são os limites para a manifestação do pensamento crítico e independente dentro do mainstream da grande mídia. Incomoda-me todo esse furor em torno da figura de Barack Obama, porque é cedo para avaliar o que ele fará como 44º presidente dos Estados Unidos. Será que fará algo verdadeiramente substancial? Estou farto de ver o belo sorriso de Obama e perceber como ele sabe manejar o capital simbólico para ter ganhos políticos. Oxalá Obama não seja um mero cínico travestido em "bom moço", em garoto cool fabricado nas entranhas do império para revigorar a imagem do país no cenário internacional. Será ele o homem perfeito para contrabalançar o declínio moral provocado por Bush apenas para abrir um novo caminho para os "interesses" do establishment norte-americano? Será ele o "grande homem" de Taine ou um novo Mefisto? Segue abaixo um texto que traz uma análise controversa sobre Obama. Como toda voz herética, talvez provoque desconforto. Espero que gostem. Afinal, é bom respirar idéias diferentes e não ficar restrito ao poder imensurável do pensamento único."
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Cristiano Pinheiro de Paula Couto
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ELEIÇÕES EUA
Quem tem medo de Obama

Aclamado pela mídia, a futura política de Obama permanece incerta. Ele é negro, mas não é baiano. E muito menos arretado. O novo presidente mostrarará ao mundo o que que a baiana tem?
Paulo Cannabrava Filho (para o Le Monde Diplomatique Brasil)
(12/12/2008)

É impressionante o comportamento da mídia brasileira em relação às eleições nos Estados Unidos. Em nenhum outro país, nem nos EUA, deu-se tanto espaço para o evento. Além do exagero da cobertura, a imprensa trata o tema como espetáculo e criam um clima de expectativa tal como se aguardássemos a chegada de um novo Messias.
Candidato favorito também na Europa, acolhido pela mídia espetáculo como em nenhuma outra eleição presidencial estadunidense. A opinião pública espera que o multiculturalismo e o multilateralismo nas relações regionais e mundiais ganhem força. Pode ser, e isso é positivo.
No Brasil há mais gente torcendo por Obama do que por Lula nas últimas eleições presidenciais. Os articulistas de plantão invocam as origens do novo presidente norte-americano para alentar a esperança de que ele salvará a humanidade da atual crise no cassino financeiro mundial. Na Bahia, como se fosse um baiano arretado, ganhou até letra de reggae.
O título acima não é uma interrogante. Ele define uma reflexão de quem realmente tem medo de Barak Obama.
Era uma vez...
Obama ganha as eleições nos Estados Unidos. Desta vez não haverá fraude em favor dos republicanos. Uma eleição limpa, na medida da hipocrisia do establishment estadunidense. Obama não será assassinado e governará com maioria democrata nas duas casas legislativas. É o candidato do sistema. Até o Financial Time expressou apoio explícito ao candidato. Voz uníssona de todos os grandes conglomerados de mídia relacionados com as megacorporações financeiras, industriais e comunicacionais de caráter global. Ganha a eleição e governa porque assim quer, o complexo militar industrial aliado à indústria criativa, os dois maiores formadores do PIB estadunidense. A atual crise do sistema sequer tomou rumos e não será suplantada sem um clima psicossocial favorável.
Será que essa gente ficou boazinha de uma hora para outra e vai entrar na onda da construção de outro mundo possível? Aquele mundo que sonhamos e pelo qual lutamos nos fóruns alternativos? Será que o agravamento da crise sistêmica do capitalismo globalizado levará a um reordenamento na concepção de desenvolvimento e de governo mundial?
Nas vésperas do 11 de setembro, data em que as torres símbolos em Nova York foram atingidas, o “son of a Bush”, o herdeiro - tanto nas petroleiras como na presidência -, havia feito um dramático discurso solicitando aprovação de um astronômico orçamento para o projeto denominado Guerra nas Estrelas, necessário para mover a economia em crise. Ele dizia algo como: a guerra (nas estrelas) ou a guerra. O congresso negou-lhe aprovação. Dias depois, o desabamento das torres deu-lhe o pretexto para iniciar a sua guerra. Sua, do Dick Scheney, da Halliburton, da Boeing, da GE etc. A guerra da rapina do petróleo iraquiano e das rotas de petróleo e heroína da Ásia Central.
O governo do Bush filho foi um desastre sob todos os pontos de vista. Agravou a crise econômica e moral, com efeitos devastadores na auto-estima da população estadunidense e na imagem dos Estados Unidos, no consciente e inconsciente dos terráqueos, notadamente entre os parceiros da governança mundial. E como se não bastasse, veio a quebra financeira do cassino global. O sistema e a liderança dos EUA não tinham mais como sustentar-se.
A campanha sucessória, a eleição e posse do novo presidente servem para promover a necessária reversão de expectativas na psique coletiva estadunidense e mundial. Obama é o ícone perfeito: jovem, moderno, culto e negro, com ascendentes na África - parece mesmo um baiano arretado.
O candidato republicano é exatamente seu inverso: velho, conservador, retrógrado, inculto e branco. Infeliz até no nome: Cain, o primeiro assassino. Sua vice é uma caricatura do que ele representa. Uma dupla sem qualquer chance de empolgar o eleitorado e menos ainda a opinião pública mundial. Deve haver uma razão para isso.
Obama: bicho papão?
O capitalismo consumista ainda tem muito fôlego, e os EUA não têm como viver fora dele. Uma sociedade mal informada, revestida de fundamentalismo religioso, educada para consumir é facilmente envolvida por uma campanha que enfatiza questões abstratas, à volta ao espírito norte-americano. É necessário afugentar o efeito da crise, cuja conseqüência tem sido o empobrecimento da classe média, eternamente endividada e estressada com o susto da quebradeira das financeiras. A eleição é oportuna para o diversionismo necessário para a reversão das expectativas.
Não há porque deixar de ter medo de Obama. Sua eleição servirá para recuperar o bom desempenho dos EUA. A história nos tem ensinado que os Estados Unidos do pós-guerra têm sido governado pelo complexo aparato de informação e comunicação montado para servir aos interesses dos grandes conglomerados empresariais. Os presidentes, como regra, têm sido meros fantoches. Obama é negro, mas não é baiano. É diplomado por Harvard. É da estirpe de Collin Powell e Condoleezza Rice. Negros assimilados e cooptados, perfeitamente integrados ao establishment.
Com relação à América Latina, essa crença de que Obama é o novo Messias, fará com que a população baixe a guarda facilitando aos operadores do sistema recuperar terreno perdido com a desmoralização provocada por Bush. Esse é o perigo.Até aqui no Brasil já se percebe que uma coisa é conquistar o governo e outra é governar com independência, realizar projetos que alterem os rumos do sistema. Tudo continuará como dantes. Para organizar a transição e a equipe do novo governo foram chamados Warren Buffett, megainvestidor, o mais rico do planeta, Timothy Geithner, homem do Fed, e Rahm Emanuel, agente do Mossad. Lá, como aqui, a esperança será sufocada pela frustração.

sábado, janeiro 10, 2009

Diplomacia e o Jazz


Por meio de um artigo que encontrei na revista de diplomacia, conheci um artista de Jazz, o qual, desde então, causou grande impressão! Uma preciosidade ao nosso alcance no Youtube! :) Achei interessante e busquei o escrito desta diplomata para deixar aqui! O ensaio fala sobre o trabalho dos diplomatas fazendo uma analogia com o jazz! Para lá de pitoresco e muito sincero!
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A Diplomacia e o Piano de Jazz: Between The Devil and The Deep Blue Sea-
Mônica Tambelli
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"Ora, a prudência – que inclui a cautela e a paciência entre seus predicados – não se torna um luxo imprudente em tempos de crise e de exasperação? Não se trata de um conceito nostálgico ou, de qualquer forma, simplório e insuficiente? No século XXI, a palavra de ordem não seria mais bem inteligência, no sentido de agilidade, esperteza, decisão – não vacilar, em vez de pensar para agir? Não é o que pede a New Diplomacy, whatever it may be? Ora, um diplomata não se faz apenas na prudência. O diplomata não é apenas um bom executor de planos fixos e predeterminados. Como já dizia o Dr. Eliezer, “jacaré vacilou virou bolsa. E se bobear, de plástico.” O diplomata precisa ser pianista de jazz e usar o improviso a seu favor. Willie “the lion” Smith ao piano. Echoes of Spring. Ninguém questiona o que é virtude. Todos sabem que aquilo, sim, é excelência. São poucos minutos de suspensão... não exatamente um exercício de cautela e paciência. Muita técnica, sem dúvida, mas com tempero.

Anitra’s Dance. Famosa mazurca composta por Edvard Grieg. Peça clássica. Música erudita. Perfeitamente interpretada pelas maiores orquestras do mundo, com muita técnica. Agora pense na mesma partitura sobre o piano de Donald Lambert. Ele até se segura em uma interpretação by the book nos primeiros 30 ou 40 segundos, mas depois mostra a que veio. A intensidade de sua interpretação traduz o porquê de ele ser conhecido pianista de jazz, e não solista erudito. Ele conjuga a teoria musical com a sabedoria prática. Encontro de mestres? Claude Bolling. Excelente pianista de jazz que gostava de experimentar coisas. Pinchas Zukerman. Violinista da mais alta técnica clássica que topou experimentar umas coisas. Resultado: Slavonic Dance em Suíte para Violino e Piano de Jazz. Interpretação perfeita da teoria musical ao violino combinada ao mais puro improviso inspirado do piano de jazz. No jazz, os dois músicos conjugaram suas visões distintas e ampliaram o leque de possibilidades. Fica claro o bom uso de intuição e adaptabilidade. É sempre mais fecundo o debate aberto às mais variadas idéias...


Diplomacia encerra em si muito da essência do jazz. Este não é música padronizada ou produzida em série. O jazz é música de executantes. Tudo nele está subordinado à individualidade dos músicos, ou deriva de uma situação em que o executante era o senhor. Ser diplomata, muitas vezes, será comparável ao que John Coltrane contava sobre a experiência de tocar com Thelonious Monk: “I always had to be alert with Monk, because if you didn’t keep aware all the time of what was going on you’d suddenly feel as if you’d stepped into an empty elevator shaft”.


A diplomacia é arte com toques de ciência, prática para além da teoria. Reúne conhecimento, criatividade, intuição e coragem na defesa dos interesses do Estado. Trata-se de um saber-fazer, combinação de aparência ambígua entre o intelectual e o material, equilibrada pela phronesis. A atividade tem como atributos não apenas o conhecimento, mas também a produção de resultados adequados à pólis. O diplomata não busca a verdade imutável, mas a construção de possibilidades que garantam a sobrevivência e a prosperidade do Estado.

Como o pianista de jazz, o diplomata observa as circunstâncias e constrói o entendimento até mesmo em situações bastante improváveis, com base em acomodação de interesses e escolhas um tanto incompatíveis. É a arte do possível, sem regras predeterminadas, usando a teoria e a técnica como aliadas, mas não se prendendo a elas apenas. Tocar piano não é só técnica, muito menos em se tratando do piano de jazz. Para se conseguir ser um Thelonious Monk (bom, primeiro seria necessário ter nascido Thelonious Monk... mas aí já é outra história), para se tocar como ele, ou como um Fats Waller, ou um Count Basie, é preciso agir com várias virtudes: conhecimento, sabedoria, coragem, prudência e ousadia.


A diplomacia é arte e, como tal, é inefável; não se presta a ser reduzida em códigos. O piano de jazz tampouco. Como bem explica Hobsbawn, o jazz é o que os músicos individuais fizerem dele, e cada músico tem a sua voz própria. “Têm sido feitas tentativas no sentido de rastrear a evolução e os cruzamentos para maior fertilidade dos estilos instrumentais em formas de diagramas, porém mesmo o mais lúcido dos diagramas parece um mero esquema de fiação para uma instalação elétrica complexa.”1 Não se pode fazer a teoria do piano de jazz; isso não existe porque não existe uma teoria da ação. Não há teoria do piano de jazz como não pode haver teoria da diplomacia: ambos são fazeres, ações. Rex Stewart, trompetista, uma vez disse: “Olha, quando uma banda entra em um estúdio para uma sessão de gravação, os caras não sentam para serem sinceros. Eles tocam apenas. Só isso.” Seria algo como “você faz e pronto”. Ok, mas não adianta só querer sair fazendo, você precisa ter passado muitas horas ali em cima dos pretos e brancos do teclado para poder conhecer o caminho em que está pisando... sem saber o que está fazendo, não sai nem o bife, meu caro.


O piano de jazz, como a diplomacia, trata do efêmero, mutável, precisa de malícia além de técnica e experiência. Ou você realmente acha que Lionel Hampton e Nat King Cole combinam seus teclados em Central Avenue Breakdown só com teoria? As virtudes do pianista e do diplomata: temperar o conhecimento com prudência e coragem. O piano de jazz e a diplomacia são, ambos, exemplos de agir virtuoso. São ofícios exercidos com conhecimento de causa e domínio de meios. Tratam de combinar reflexão e ação. Consistem em fazer com método e conhecimento do porquê das coisas. Art Tatum era um que sabia bem o porquê das coisas e entendia que há um jeito novo para Rosetta a cada dia. Por sinal, você já ouviu Art Tatum tocando Over the Rainbow? A música que em outros pianos ou orquestras chega a ser besta, ganha outra dimensão. Vale a pena.


Na diplomacia e no jazz, a realidade é multifacetada e resiste a ser “engarrafada” em um único conceitoteórico. O real tem a característica de ser fugidio. “It is no disgrace for a man, even a wise man, to learn many things and not to be too rigid”. Como bem disse Guimarães Rosa, até “o vento experimenta / o que irá fazer / com sua liberdade”. É um pouco o que acontece com o fazer diplomático. É um pouco o que acontece quando o pianista senta para tocar jazz. Com bom senso, tanto o diplomata quanto o pianista movem-se dentro do espaço que lhes é dado e experimentam as melhores possibilidades para trabalhar harmoniosamente o momento presente. Da mesma forma que Cosmo de Medice dizia “Bisogna entrare nel male per fare politica”, para tocar jazz ao piano não se pode ter medo de “deturpar” as regras e reagrupar as notas inusitadamente. Ao piano, não se quer o bem, o perfeito. O que se pretende é o interessante, quase como em um exercício de virtù, de mérito, valor, talento, astúcia e energia. Ao piano, existem os limites do teclado, mas com uma enorme gama de possibilidades e, dentro daquelas opções, enfrenta-se a liberdade, sem receita. Com receita, pode-se tocar música clássica. Jazz de verdade envolve conhecimento sensorial; envolve experimentar, brincar, ousar e não fugir dos perigos.

O fazer diplomático, na mesma linha, não pode aprisionar o real com pré-conceitos, deve lidar com as possibilidades. É arte, com seus segredos a serem descobertos. É sabedoria prática, envolvendo o homem como um todo. Em diplomacia, não basta aprender a negociar e sair repetindo o que aprendeu. Deve-se seguir T. S. Eliot e explorar e depois voltar ao ponto de partida, sem jamais parar de explorar. Saber tomar a decisão adequada sobre as coisas tem significado prático, deve-se desenvolver a capacidade de antecipar as conseqüências das escolhas dos agentes políticos. Levar em conta não somente o imediato e o contingente, mas também perceber as conseqüências.


O piano de jazz, como a diplomacia, trata do efêmero, mutável, precisa de malícia além de técnica e experiência. No jazz, o piano não reproduz pura e simplesmente o pensar. O que se disse do estadista: “a fecundidade do inesperado supera grandemente a experiência”, pode-se dizer do pianista de jazz. Não se toca jazz ao piano sem criatividade, adaptabilidade, intuição e faro. Talvez por isso a mãe de Mary Lou Williams não quisesse que filha ficasse apenas nas lições de piano e a levasse a jam sessions para ouvir muitos músicos e diferentes estilos. A Srª. Williams tinha medo de que sua filha ficasse como ela, presa ao papel, incapaz de soltar a criatividade. Mary Lou, de fato, não virou uma concertista, mas “the gigging piano gal from East Liberty” com sua genial interpretação swingada de Margie... muita arte e ciência.


Sabe o Fats Waller? Quem diria... estudou piano clássico e órgão. Quando criança, ele sabia de cor toda a obra de Bach para órgão. Quando cresceu, encantou-se com o stride piano de James P. Johnson e com os improvisos de Willie “the lion” Smith. Hoje Fats é considerado o melhor pianista do estilo stride que já existiu. Não foi para ouvir a perfeição de Bach que Al Capone o mandou seqüestrar... o gângster sabia das coisas, queria mesmo era passar três dias ouvindo Squeeze Me, Numb Fumblin’, You look good to me, Ain’t Misbehavin’ e muito mais no stride piano de Fats. E o pianista tocou. E se divertiu tocando, por três dias, na festa de aniversário do gângster. Agora diz que não é virtuoso?


Se virtuoso é “aquele capaz de compreender e de agir” porque sabe que disso depende a fortuna (ou o resultado), devemos reconhecer que um bom diplomata, assim como um bom pianista de jazz, deve ser um virtuoso. Com swing ou bebop, em qualquer estilo, o diplomata eficiente será um Erroll Garner tocando I’m Confessin’; um Chick Corea em Lisa ou Armando’s Rhumba; um Oscar Peterson em Night and Day ou Satin Doll... e como ação não tem teoria... nem muita sinestesia para explicar o que as mãos de Willie “the lion” Smiths fazem com Morning Air."


1HOBSBAWN, Eric. História Social do Jazz. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990, p. 131.


Carolina Shout- Willie The Lion Smith
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terça-feira, dezembro 23, 2008

Feliz Natal





Que Papai Noel lhe traga tudo de bom que você pediu e mais alguma coisa boa que você esqueceu. Um Feliz Natal e Boas Festas!


Karine e Clóvis Eduardo

terça-feira, dezembro 16, 2008

Harpsichord Concerto BWV 1056, 2

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Johann Sebastian Bach

O Tradicional Cravo:



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O Clássico piano:


Sessão Cinema: Filmes e Cenas Inesquecíveis, Parte 2


Cinema Paradiso\Nuovo Cinema Paradiso, 1989

Uma das coisas mais bonitas que a vida nos traz, sem dúvida, são as amizades que conseguimos ao longo dela. Não importa se são entre mulheres, homens, jovens, adultos, ou até entre crianças e adultos, desde que elas sejam verdadeiras. Isso é o que o diretor Giuseppe Tornatore, de Cinema Paradiso, nos mostra, em uma linda história entre uma criança que adorava ir ao cinema e o projecionista do local, que já era uma pessoa mais vivida. O filme retrata muito bem o significado do vínculo e daquilo que uma amizade sincera representa. É lindo!


Conta a trajetória desde a infância, passando pelos problemas da adolescência, até a maturidade de Salvatore di Vitto (Toto). A história se passa em uma Itália pós-guerra, na pequena cidade de Giancaldo. Um lugar onde todo mundo se conhece e a única atração restante é o velho Cinema Paradiso, aonde todos vão aos finais de semana para se divertirem um pouco.


Antes das sessões serem passadas ao público em geral, o padre local assiste ao filme da semana em particular para fazer a censura, cortando cenas que ele acha serem desprovidas de pudor. Isso sempre afetou as sessões, pois bem na hora daquele esperado beijo ardente, a cena é cortada para a seguinte, causando um furor entre os espectadores. Foi em uma dessas sessões de corte que o pequeno Toto, àquela época o coroinha do padre, que sempre freqüentava o cinema escondido dele, conheceu o projecionista do cinema, Alfredo. Assim, começou a amizade entre os dois.


Os anos se passaram e o menino virou um adolescente e se apaixonou por uma moça, mas não foi retribuído. Sendo persistente como sempre, ele ganhou o seu amor. Mas foi por pouco tempo, pois ele teve de servir o seu exército e ela, ir para a faculdade. Voltando do exército, mas vendo que ali não tinha mais nada a fazer sem seu amor por perto, e com o conselho de seu velho amigo na cabeça, foi embora da cidade para tentar uma nova vida, onde veio a se tornar um cineasta, somente voltando trinta anos mais tarde, já amadurecido pela idade e pelas experiências de vida.


Com um ambiente único e bem filmado, mostrando-nos nas expressões de cada personagem seus mais fortes sentimentos, Cinema Paradiso é uma ode à vida. O filme conta que a vida somente tem um sentido se temos alguma paixão e amizade para compartilhá-la, pois mesmo tendo muitos amores em sua vida, Toto nunca mais esqueceu de seu velho amigo e do Paradiso.


* Esta cena é quando Toto, já adulto, assiste as partes dos filmes em que o padre havia censurado e que Alfredo guarda e constrói uma montagem para dar de presente para ele. Todas as cenas de beijos, abraços, nudez e amor. Belo³


segunda-feira, dezembro 15, 2008

Sessão Cinema: Filmes e Cenas Inesquecíveis, Parte 1


Zorba o Grego/
Zorba, the Greek, 1964

O inesquecível filme de Michael Cacoyannis estrelado por Anthony Quinn obteve sete indicações ao Oscar incluindo melhor filme, melhor diretor e melhor ator.

Na ilha grega de Creta, Basil, Alan Bates, um tímido e reservado escritor inglês faz amizade com Zorba, Quinn, um camponês extrovertido e exuberante com um incrível amor pela vida.

Quando Zorba concorda em trabalhar na mina abandonada de Basil, inicia-se um determinante aprendizado para o jovem, pois este começa a atuar no mundo de modo tão apaixonado quanto o outro.

Este celebrado clássico é co-estrelado por Irene Papas e Lila Kedrova em interpretação que lhe garantiu o Oscar.

* Esta é a famosa cena onde o personagem interpretado por Quinn dança o Sirtaki, rítmo típico da Grécia. Foi rodada na praia do vilarejo de Stavros. Lindo³


sexta-feira, dezembro 12, 2008

Todas Elas Juntas Num Só Ser

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Todas Elas juntas Num Só Ser
Lenine
Composição: Lenine / Carlos Rennó

Não canto mais Babete nem Domingas
Nem Xica nem Tereza, de Ben jor;

Nem Drão nem Flora, do baiano Gil;
Nem Ana nem Luiza, do maior;

Já não homenageio Januária,

Joana, Ana, Bárbara, de Chico;

Nem Yoko, a nipônica de Lennon;
Nem a cabocla, de Tinoco e de Tonico;

Nem a tigreza nem a vera gata
Nem a branquinha, de Caetano;
Nem mesmoa linda flor de Luiz Gonzaga,
Rosinha, do sertão pernambucano;
Nem Risoflora, a flor de Chico Science,
Nenhuma continua nos meus planos.
Nem Kátia Flávia, de Fausto Fawcett;

Nem Anna Júlia do Los Hermanos.

Só você,
Hoje eu canto só você;
Só você,
Que eu quero porque quero, por querer.

Não canto de Melô pérola negra;
De Brown e Hebert, uma brasileira;
De Ari, nem a baiana nem Maria,
Nem a Iaiá também, nem minha faceira;
De Dorival, nem Dora nem Marina
Nem a morena de Itapoã;
Divina garota de Ipanema,
Nem Iracema, de Adoniran.

De Jackson do Pandeiro, nem Cremilda;

De Michael Jackson, nem a Billie Jean;

De Jimi Hendrix, nem a doce Angel;
Nem Ângela nem Lígia, de Jobim;

Nem Lia, Lily Braun nem Beatriz,

Das doze deusas de Edu e Chico;
Até das trinta Leilas de Donato,
E de Layla, de Clapton, eu abdico.

Só você,
Canto e toco só você;
Só você,
Que nem você ninguém mais pode haver.

Nem a namoradinha de um amigo
E nem a amada amante de Roberto;
E nem Michelle-me-belle, do beattle Paul;
Nem Isabel - Bebel - de João Gilberto;

E nem B.B., la femme de Serge Gainsbourg;
Nem, de Totó, na malafemmená;
Nem a Iaiá de Zeca Pagodinho;
Nem a mulata mulatinha de Lalá;

E nem a carioca de Vinícius
E nem a tropicana de Alceu
E nem a escurinha de Geraldo
E nem a pastorinha de Noel
E nem a namorada de Carlinhos
E nem a superstar do Tremendão
E nem a malaguenha de Lecuona
E nem a popozuda do Tigrão

Só você,
Hoje elejo e elogio só você,
Só você,
Que nem você não há nem quem nem quê.

De Haroldo Lobo com Wilson Batista,
De Mário Lago e Ataulfo Alves,
Não canto nem Emília nem Amélia,
Nenhuma tem meus vivas! E meus salves!
E nem Angie, do stone Mick Jagger;
E nem Roxanne, de Sting, do Police;
E nem a mina do mamona Dinho
E nem as mina – pá! - do mano Xiz!

Loira de Hervê e loira do É O Tchan,
Lôra de Gabriel, o Pensador;
Laura de Mercer, Laura de Braguinha,
Laura de Daniel, o trovador;
Ana do Rei e Ana de Djavan,

Ana do outro rei, o do baião

Nenhuma delas hoje cantarei:
Só outra reina no meu coração.

Só você,
Rainha aqui é só você,
Só você,
A musa dentre as musas de A a Z.

Se um dia me surgisse uma moça
Dessas que com seus dotes e seus dons,
Inspira parte dos compositores
Na arte das palavras e dos sons,
Tal como Madallene, de Jacques Brel,
Ou como Madalena, de Martinho;
Ou Mabellene e a sixteen de Chuck Berry,
E a manequim do tímido Paulinho;

Ou como, de Caymmi, a moça prosa
E a musa inspiradora Doralice;
Se me surgisse uma moça dessas.
Confesso que eu talvez não resistisse;
Mas, veja bem, meu bem, minha querida;
Isso seria só por uma vez,
Uma vez só em toda a minha vida!
Ou talvez duas... mas não mais que três...

Só você...
Mais que tudo é só você;
Só você...
As coisas mais queridas você é:

Você pra mim é o sol da minha noite;
É como a rosa, luz de Pixinguinha;
É como a estrela pura aparecida,
A estrela a refulgir, do Poetinha;
Você, ó flor, é como a nuvem calma
No céu da alma de Luiz Vieira;
Você é como a luz do sol da vida
De Steve Wonder, ó minha parceira.

Você é pra mim e o meu amor,
Crescendo como mato em campos vastos,
Mais que a gatinha para Erasmo Carlos;
Mais que a cigana pra Ronaldo bastos;
Mais que a divina dama pra Cartola;
Que a domna pra Ventadorn, Bernart;
Que a honey baby pra Waly Salomão
E a funny valentine pra Lorenz Hart.

Só você,
Mais que tudo e todas, é só você;
Só você,
Que é todas elas juntas num só ser.


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quarta-feira, dezembro 10, 2008

Como a Pepsi bateu a Coca

Como a Pepsi bateu a Coca
Notícia antiga - 26/01/2006

A empresa se conformou com a supremacia da marca rival. E construiu uma estratégia de negócios vencedora

Por Silvana Mautone
Fonte: Portal Exame
http://portalexame.abril.com.br/

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A Coca-Cola inicia 2006 com as seqüelas de um daqueles golpes que ferem fundo o ego dos executivos e o bolso dos acionistas. Dona da marca mais valiosa e do refrigerante mais consumido no planeta, a companhia assistiu recentemente sua arqui-rival, a Pepsi, superá-la em valor na Bolsa de Nova York, por uma diferença de 2 bilhões de dólares -- um fato sem precedentes na ruidosa guerra de mercado que as duas empresas travam mundo afora. Apenas uma década atrás, a Coca-Cola valia mais que o dobro da Pepsi. A notícia só não chocou mais o quartel-general da Coca, em Atlanta, porque o golpe já vinha sendo anunciado. Basta verificar o que ocorreu com o desempenho das ações das duas companhias nos últimos seis anos: enquanto o preço da Pepsi subia, o da Coca deslizava. "Estamos fazendo as correções necessárias para retomar o crescimento e acelerar a criação de valor para nossos acionistas", prometera o irlandês Neville Isdell, presidente mundial da Coca-Cola, no início do ano passado, em resposta ao enfraquecimento de seus papéis, que, em 2004, haviam sido desvalorizados em 16%, ante o crescimento de 13% das ações da rival. Apesar da forte dimensão simbólica, a atual hegemonia da Pepsi em Wall Street -- avaliada em cerca de 98 bilhões de dólares -- extrapola a guerra das colas.




Não se trata da supremacia de uma marca sobre a outra, mas do embate de duas estratégias de negócios distintas. A Coca-Cola é líder imbatível em seu segmento. A empresa colhe 80% de seu faturamento mundial com as vendas de suas marcas de refrigerantes. Já a Pepsico, que surgiu em meados da década de 60 da fusão da Pepsi com a fabricante de salgadinhos Frito Lay, sempre apostou na diversificação. A participação dos refrigerantes na receita da companhia mal ultrapassa os 20%. Os analistas são unânimes ao afirmar ser esse o fator determinante da valorização do grupo. "A diversificação representa hoje uma tremenda vantagem para a Pepsi", disse a EXAME John Band, analista sênior da consultoria britânica Datamonitor. Desde o início da década o consumo de sucos, chás e águas minerais avança impulsivamente e já responde por 52% das vendas mundiais de bebidas não alcoólicas.



Pressionados pelas campanhas contra a obesidade e a favor de um estilo saudável de vida, os refrigerantes tendem a perder mercado. Esse cenário produz mais impacto negativo na Coca do que na Pepsi. "A Pepsi reconheceu muito antes da concorrente que o consumo de refrigerantes emborcava e que precisava centrar seus esforços em outras bebidas, assim como em alimentos", afirma Caroline Levy, analista de bebidas do banco de investimentos UBS. É nesses segmentos promissores que a Pepsico faz a Coca comer poeira, por deter marcas globais líderes, como os sucos Tropicana, os chás Lipton -- uma parceria com a Unilever -- e o isotônico Gatorade. A Pepsi também é dona da marca de água mineral líder no mercado americano, a Aquafina, lançada em 1994. A Coca só lançou a sua, a Dasani, cinco anos depois da concorrente. Uma nota de ironia é que na prateleira de bebidas esportivas a Coca até saiu na frente com seu Powerade, lançado em 1990. O All Sport, da Pepsi, só desembarcou quatro anos depois no mercado.



Em novembro de 2000, parecia certo que a Coca-Cola compraria a Quaker, que além de cereais tinha no seu portfólio o Gatorade, líder absoluto que detém 80% das vendas de isotônicos. Em seu livro The Real Thing, a jornalista americana Constance Hays relata que o champanhe já estava gelando no balde quando, no último momento, o acordo de mais de 14 bilhões de dólares foi por água abaixo. Uma testemunha das negociações revelou que o responsável pelo naufrágio da aquisição foi o investidor Warren Buffett, maior acionista individual da Coca-Cola. Foi ele quem convenceu outros grandes acionistas na reunião do conselho que, do jeito que estava sendo fechada a negociação, eles perderiam 10% do valor de suas ações. Resultado: a intenção da Coca em comprar a Quaker, que já havia sido anunciada ao mercado, resultou em fiasco. Buffett matou o negócio e, se sua intenção era proteger suas ações, produziu efeito oposto. Com o anúncio do naufrágio nas negociações, os papéis da Coca caíram 13%.



A Pepsi não perdeu tempo. Em dezembro, comprou a Quaker -- e o Gatorade -- por 13,9 bilhões de dólares. Bem antes disso, a empresa havia enveredado para o ramo do fast food. No final dos anos 70, engolira a Pizza Hut, seguida pela Taco Bell e, tempos depois, pela KFC. Em 1997, consolidou as três redes em uma única empresa, a Tricon, rebatizada depois de YUM e atualmente cotada separadamente na Bolsa de Valores de Nova York. "A diversificação da Pepsi não significou uma volta ao passado", afirma o consultor José Carlos Aguilera, da Galeazzi & Associados, ao se referir a estratégias desastrosas como a posta em prática pela alemã Mercedes-Benz nos anos 80, quando passou a produzir, além de automóveis, jatos e trens.



A Pepsi concentrou seus negócios em alimentos e bebidas. São produtos que proporcionam grande sinergia na distribuição. "É o mesmo público-alvo, que faz suas compras nos mesmos pontos-de-venda", diz Aguilera. O que moveu todo esse processo de diversificação foi provavelmente a constatação de que seria difícil superar a Coca-Cola, um ícone global avaliado em 67,5 bilhões de dólares, valor mais de cinco vezes superior ao da Pepsi na mais recente lista instituída pela consultoria britânica Interbrand. A Coca-Cola, de certa forma, se tornou uma espécie de refém da marca mais valiosa do mundo e centrou fogo nos refrigerantes. É sua grande força e sua grande fragilidade. "Toda empresa que depende tanto de seu principal produto está sujeita a cometer esse erro", diz Giovanni Fiorentino, vice-presidente da consultoria Bain & Company. Diante disso, turbinar o ritmo de crescimento da companhia tornou-se agora crucial para o CEO Isdell.



Correndo atrás do prejuízo, a Coca busca marcas fortes regionais nos segmentos cujas vendas mais crescem. Um exemplo é a compra, no Brasil, da Sucos Mais, em 2005. Mas não será fácil para Isdell. O ano mal começou e ele teve de engolir em seco mais uma notícia ruim. No dia 12 de janeiro, um relatório do Goldman Sachs rebaixou a classificação da empresa de "acima da média" para "estável". A justificativa do banco de investimentos: ao contrário do que acreditava antes, 2006 não deverá ser um ano de virada para a Coca-Cola.

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A origem do @ e do &

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Na idade média os livros eram escritos pelos copistas a mão. Precursoresda taquigrafia, os copistas simplificavam o trabalho substituindo letras,palavras e nomes próprios por símbolos, sinais e abreviaturas. Não era poreconomia de esforço, nem para o trabalho ser mais rápido. O motivo era de ordem econômica: tinta e papel eram valiosíssimos. Então, foi assim que surgiu o til (~), para substituir uma letra (o m ou o n) quenasalizava a vogal anterior.

O nome espanhol Francisco, que era grafado Phrancisco, ficou com aabreviatura Phco. e Pco. Daí, foi fácil Francisco ganhar em espanhol oapelido Paco.

Por sua vez, os santos, ao serem citados pelos copistas, eramidentificados por algum feito significativo em suas vidas. Assim, o nomede São José aparecia seguido de Jesus Christi Pater Putativus, ou seja, opai putativo (suposto) de Jesus Cristo. Mais tarde os copistas passaram aadotar a abreviatura JHS PP e depois apenas PP. A pronúncia dessas letrasem seqüência explica porque José em espanhol tem o apelido de Pepe.

Já para substituir a palavra latina et (que se traduz por e), os copistascriaram o símbolo &, que é o resultado do entrelaçamento dessas duasletras. Este sinal é popularmente conhecido como e comercial e, em inglês,tem o nome de ampersand, que vem do and (e, em inglês) + per se (do latimporsi) + and.

Com o mesmo recurso do entrelaçamento de suas letras, os copistas criaramo símbolo @ para substituir a preposição latina ad, que, entre outros,tinha o sentido de casa de. Veio a imprensa, foram-se os copistas, mas os símbolos @ e & continuaram aser usados nos livros de contabilidade. O @ aparecia entre o número deunidades da mercadoria e o preço. Por exemplo: o registro contábil 10@£3significava 10 unidades ao preço de 3 libras cada uma. Naquela época, osímbolo @ já ficou conhecido, em inglês, como at (a ou em).

No século XIX, nos portos da Catalunha (nordeste da Espanha), o comércio ea indústria procuravam imitar práticas comerciais e contábeis dosingleses. Como os espanhóis desconheciam o sentido que os ingleses atribuíam aosímbolo @ (a ou em), acharam, por engano, que o símbolo seria uma unidadede peso. Para esse entendimento, contribuíram duas coincidências:1- a unidade de peso comum para os espanhóis na época era a arroba,cujo a inicial lembra a forma do símbolo;2- os carregamentos desembarcados vinham freqüentemente em fardos deuma arroba. Dessa forma, os espanhóis interpretavam aquele mesmo registrode 10@£3 assim: dez arrobas custando 3 libras cada uma. Então, o símbolo @ passou a ser usado pelos espanhóis para significararroba, palavra de origemárabe (ar-ruba), que significa a quarta parte; aarroba ( 15 kg em números redondos) correspondia a ¼ de outra medida deorigem árabe (quintar), o quintal ( 58,75 kg ).

As máquinas de escrever, na sua forma definitiva, começaram a sercomercializadas em 1874, nos Estados Unidos (Mark Twain foi o primeiroautor a apresentar seus originais datilografados). O teclado tinha osímbolo @, que sobreviveu nos teclados dos computadores.

Em 1972, ao desenvolver o primeiro programa de correio eletrônico (e-mail,em inglês), Roy Tomlinson aproveitou o símbolo @ (at, em inglês),disponível no teclado, e aplicou-o entre o nome do usuário e o nome doprovedor. Assim, Fulano@ProvedorX ficou significando: Fulano no provedor (ou nacasa) X.

Em diversos idiomas, o símbolo @ ficou com o nome de alguma coisa parecidacom sua forma. Em italiano, chiocciola (caracol); em sueco, snabel(tromba de elefante); em holandês, apestaart (rabo de macaco). Em outrosidiomas, tem o nome de um doce em forma circular: shtrudel, em Israel;strudel, na Áustria; pretzel, em vários países europeus.
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* texto em circulação por e-mails, fonte desconhecida

terça-feira, dezembro 09, 2008

Lançamento do Samba 2009/ Baiacu de Alguém

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Dia: 13/12/2008 - 20:00
Local: Sede do Bloco - Santo Antônio de Lisboa

O samba 2009 do Bloco Baiacu de Alguém já está pronto: "pescadores de cultura".

Em cima de letra e música de Denise de Castro, a ala de compositores contribui na composição de um samba lindo, de qualidade e levada empolgantes. Haverá neste dia o lançamento do samba do Baiacu para o próximo carnaval, com a presença dos parceiros musicais do bloco e da velha guarda das escolas de samba de Florianópolis.

Os tamborins já começam a se aquecer!!!

COMES e BEBES no local.
Ingresso: R$ 10,00. Com a camiseta do Baiacu: R$ 5,00.


Como no post sobre Cartola houveram manifestações com interesse e curiosidade sobre o bloco, achei bacana transmitir a notícia! =) Com certeza é válido conferir para quem simpatiza com o samba de raiz. Recomendo.


quinta-feira, dezembro 04, 2008

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Paul McCartney no Brasil em 2009



No início do ano ouvi rumores sobre uma última turnê mundial do Paul McCartney para 2009. Esta incluiria a América Latina, conseqüentemente, o Brasil. Na lista dos lugares para os shows estão: Rio e São Paulo. Fiquei sabendo da notícia por meio de um amigo hiper mega fã. :D Disse ele que tinha uma fonte segura! Maravilha! Fiquei na torcida desde então..

Paul esteve no Brasil duas vezes (1990 e 1993). Na primeira delas, bateu o recorde mundial de público para apresentações de um único artista em shows pagos (184 mil pessoas no dia 21/04/90), na sua segunda apresentação no Maracanã.



Já em 1993, se apresentou em São Paulo e Curitiba.

Nos últimos dias vários tablóides do Reino Unido conseguiram informações sobre a próxima (e provavelmente última) grande turnê de Sir Paul, visto que, com 66 anos e uma filha pequena, já não tem a mesma disposição para ficar rodando o mundo.



Se tudo der certo, em 2009, nós poderemos assistir mais uma vez a este super mega talentoso músico! =D Torcida não vai faltar!!!



Será que ele vem??? Veeeeeeeeeeem!!! :)