terça-feira, março 06, 2007

HEY BULLDOG!!!

HEY BULLDOG!!!



HEY BULLDOG

Sheep dog standing in the rain
Bull grog doing it again
Some kind of happiness is
measured out in miles
What make you think you're
something special when you smile

Childlike no on understand
Jack knife in your sweaty hands
Some kind of innocence is
measured out in years
You don't know what it's like
to listen to you fears

You can talk to me
You can talk to me
You can talk to me
If you're lonely, you can talk to me

Big man walking in the park
Wigwam frightened of the dark
Some kind of solitude is
measured out in you
You think you know but you haven't got a clue

You can talk to me
You can talk to me
You can talk to me
If you're lonely, you can talk to me

quinta-feira, março 01, 2007

Pai, afasta de mim esse "cale-se"...

...de vinho tinto de sangue!



A excepcional "Cálice" de Chico Buarque e Gilberto Gil, ao contrário da maior parte das músicas subversivas de Chico, que tinham mensagens ocultas, disfarçadas por duplos sentidos, é direta e incisiva em seu repúdio à censura promovida pela ditadura militar nos anos 70. Não por acaso a execução da música fora proibida em solo nacional.

No show PHONO 73, promovido em maio de 1973 pela gravadora Phonogram (hoje Polygram) no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo, os autores inteligentemente decidiram cantar apenas a melodia, em alusão à palavra "CALE-SE".

E os microfones foram misteriosamente desligados!

Herança de uma época em que havia um pouco mais de resistência às diversas formas de submissão

No mistério do sem-fim

No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.

E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,

entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta

Cecília Meirelles

Poesia do Cháves

Para descontrair um genial versículo do Cháves!
Sim, aquele mesmo, do seriado
O Cháves do 8!
ha ha ha

"E volta o cao arrependido
Com suas orelhas tao fartas
Com seu osso roido
E com o rabo entre as patas"

Será que alguém lembra disso?

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

em portugês

Então devo publicar algo neste belo sarau...escolhi um cara obsecado, por máquinas e anjos e poesia que também sabia falar de amor.
- Senhoras e senhores: Allen Ginsberg!

Canção

O peso do mundo
é o amor.
Sob o fardo
da solidão,
sob o fardo
da insatisfação

o peso
o peso que carregamos
é o amor.

Quem poderia negá-lo?
Em sonho
nos toca
o corpo
em pensamentos
constrói
um milagre,
na imaginação
aflige-se
até tornar-se
humano -

Sai para fora do coração
ardendo de pureza
pois o fardo da vida,
é o amor,

mas nós carregamos o peso
cansados
e assim temos que descansar
nos braços do amor
finalmente
temos que descansar nos braços
do amor.

Nenhum descanso
sem amor,
nenhum sono
sem sonhos
de amor -
quer esteja eu louco ou frio,
obsecado por anjos
ou por máquinas,
o último desejo
é o amor
- não pode ser amargo
não pode ser negado
não pode ser contido
quando negado:

o peso é demasiado

- deve dar-se
sem nada de volta
assim como o pensamento
é dado
na solidão
em toda a excelência
do seu excesso.

Os corpos quentes
brilham juntos
na escuridão,
a mão se move
para o centro
da carne,
a pele treme
na felicidade
e a alma sobe
feliz até o olho -

sim, sim
é isso que
eu queria
eu sempre quis,
eu sempre quis
voltar
ao corpo
em que nasci.


San Jose, 1954
The Green Automobile

Sobre a saudade...

Hoje me peguei pensando sobre um tema saudade....
Saudade! Palavra paradoxal, de muitos significados.... Encanta, desencanta e se manifesta através de sentimentos.... tristeza, angustia, solidão e porque não alegria. A saudade está presente em nosso dia-a-dia, nas lembranças do passado, das pessoas que amamos e dos lugares de onde viemos e por onde passamos.... daquelas que se foram. A saudade está na poesia, na música, na filosofia....
Saudade não tem fim....
Saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu...
Hoje sinto saudade da Yvi... minha aluna querida que se foi....mas que se tranformou num anjo que vive no meu coração...

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Ah, the lonely people!



Como quase toda criança da época, adorava Michael Jackson. Depois, na adolescência, começando a desvendar o mundo da música, passei a abominá-lo e a tudo que considerava "pop", ou seja, música descartável de baixa qualidade... Hoje em dia não vejo mais o Moonwalker como um ídolo do bem ou do mal, mas como um ser humano que fez coisas admiráveis e muita bobagem, artisticamente e, principlamente, como pessoa.

A gravação que o Caetano fez de Billy Jean pareçe captar exatamente esse lado humano. Transfigurada em bossa, o que a valoriza em termos de melodia e letra e elimina sua característica dançante, a música evidencia um lado sensível e criativo do autor por detrás de toda marquetagem e apelo consumista.

Mas a grande sacada é o final, a frase "Aaaaaah, look at all the lonely people!", refrão de "Eleonor Rigby" dos Beatles. É como se estivéssemos pensando "olhem esses solitários, o que são capazes de fazer". E o sentimento é pena. O que faz uma pessoa querer tanto bater recordes de venda de discos, ter multidões a seus pés, isolar-se em um mundo de mentira (o palácio dele, a "Terra do Nunca"), descaracterizar o próprio corpo até a mutilação e abusar de criancinhas? Quanta solidão, que carência doentia!

Esse vídeo ficou muito legal... Uma coisa nostálgica e forte. Como um vídeo de Chaplin, sei lá...

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Chico Buarque - Construção

Para começar...nada como o Chico

Quadrilha


João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. João foi para o Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história.

Carlos Drummond de Andrade.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Loucura?

loucura? - Charles Bukowski

olha, ele disse, admita.

o quê? perguntei.

quando você vê aquela gorda no supermercado que está escolhendo laranjas, não se sente a fim de ir lá e espremer aquelas ancas feias bem forte apenas para ouvi-la gritar?

do que diabos você está falando,cara? perguntei.

ou quando o garçom te traz teu jantar, não pensapor um instante que poderia matá-lo?

não antes do jantar respondi.

o que estou querendo dizer com isso,ele continuou,é que há uma linha muito tênue entre o que chamamos de sanidade e o que chamamos loucura e que o esforço que fazemos parapermanecer no lado são só é feito para que não sejamos punidos pela sociedade. senão, iríamos frequentemente cruzar essa linha e as coisas seriam muito mais interessantes.

eu não sei do que diabos você está falando, cara,eu disse a ele.

ele apenas suspirou, me olhou e disse, deixa pra lá, amigo.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Um post bem legal!





Tudo começa com uma sugestão: que o post fosse sobre cinema. Eu queria tecer opiniões sobre um filme indicado pelo Clóvis, mas como eu ainda não o vi, ficará em aberto. A linhas abaixo são um mix de opinião, biografia e sinopse de um filme que ambos vimos, e provavelmente muitos outros também. Espero que gostem.

Para quem gosta não apenas de bons filmes, mas também de rock, cabe a sugestão: Johnny e June, de título original "Walk the Line ".

É a história de Johnny Ray Cash, um cantor e compositor americano de música country, conhecido por seus fãs como "O Homem de Preto". Cash se apresentava, na maioria das vezes vestido de preto, calçando uma bota igualmente preta de cano longo, o que o levou a tal apelido. Explicanso se o seu estilo, surge "Man In Black", : "I wear the black for the poor and the beaten down, / Livin' in the hopeless, hungry side of town, / I wear it for the prisoner who has long paid for his crime, / But is there because he's a victim of the times" ("Eu me visto de preto pelos pobres e oprimidos/ Que vivem no lado faminto e sem esperanças da cidade / Eu me visto assim pelo prisioneiro que há muito pagou por seu crime / Mas está ali pois é uma vítima dos tempos").

A biografia filmada, relata desde a sua infância até o início do sucesso em Memphis, onde gravou com Elvis Presley, Johnny Lee Lewis e Carl Perkins, bem como a conturbada vida que tinha, por ser viciado em afetaminas e barbitúricos (uma substância depressora do sistema nervoso central).

Embora praticamente fora de controle, pelo vício, a criatividade frenética de Cash ainda conseguia criar hits. "Ring of Fire" foi um sucesso, alcançando o primeiro lugar nas paradas country, co-escrita por June Carter e Merle Kilgore.

Cash decide, após inúmeros incidentes pessoais e até mesmo complicações com a lei, começar a longa e difícil jornada rumo à reabilitação. Ele se trancou em casa para tentar se desintoxicar, contando com o apoio irrestrito dos amigos e da então esposa, June Carter, também cantora, que ele conheceu em uma turnê. A balada romântica "Flesh and Blood" foi uma das primeiras de inúmeras músicas que Cash dedicaria à sua amada.

June Carter, faleceu de complicações decorrentes de uma cirurgia do coração em 15 de maio de 2003, aos 73 anos de idade. Menos de quatro meses depois, Johnny Cash morreu devido ao diabetes aos 71 anos de idade.

Desde seus primórdios como um pioneiro do rockabilly e rock and roll nos anos 50 à sua transformação em um representante internacional da música country e até sua reconquista da fama nos anos 90 tanto como uma lenda viva como ícone do country alternativo, Cash influenciou incontáveis músicos e deixou um trabalho igualado apenas pelos maiores artistas de sua época.





Bom filme!
K.G.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Pedra do tempo



Essa foi o Roger quem mandou

Ótima! Não tem tecnologia mais eficiente!

domingo, fevereiro 04, 2007

A hard day´s night

Boletim musical

Pois é pessoal, aconteceu nesse dia 02 nosso showzinho (Tiago, Ju e eu) no café matisse

Foi um dia difícil!
Só conseguimos o amplificador emprestado para o baixo na véspera
O captador do violão entrou em curto-circuito no ensaio, horas ante do show
Mais um ensaio cancelado!!!
Achamos mais conveniente comprar um novo violão do que arrumar o antigo. Esse processo de descobrir o problema e encontrar soluções levou mais de duas horas e ansiedade à beça
Durante o show o microfone (que é novo) falhava e ficava mudo em vários momentos, o que ogrigava Jesus a operar milagres como pular pra cima palco, esgueirando-se até a mesa de som.
O violão não parava afinado, afinal cordas novas demoram até ficarem consistentes
O bongô estava mal microfonado
Como quase não houveram ensaios durante a semana houveram vários errinhos bobos
E o som estava ruim na parte técnica

Arffff...

Pra completar, o mano passa mal, com palpitações, o que nos obrigou (eu e Tiago) a entreter o pessoal com várias canções de improviso até a recuperação final do guri

Mas essa noite de um dia difícil, apesar de todos os contratempos, foi muito legal!

Pelos momentos bons do trio, em que a coisa realmente funcionou
Pela empolgação do público, que estava muito divertido
E pricipalmente pela experiência adquirida!

É isso então, comentário crítico do dia 02!
Registrando...

segunda-feira, janeiro 29, 2007

A Bela e a Fera

(Chico Buarque / Edu Lobo)

Ouve a declaração, oh bela
De um sonhador titã
Um que dá nó em paralela
E almoça rolimã
O homem mais forte do planeta
Tórax de Superman
Tórax de Superman
E coração de poeta

Não brilharia a estrela, oh bela
Sem noite por detrás
Tua beleza de gazela
Sob o meu corpo é mais
Uma centelha num graveto
Queima canaviais
Queima canaviais
Quase que eu fiz um soneto

Mais que na lua ou no cometa
Ou na constelação
O sangue impresso na gazeta
Tem mais inspiração
No bucho do analfabeto
Letras de macarrão
Letras de macarrão
Fazem poema concreto

Oh bela, gera a primavera
Aciona o teu condão
Oh bela, faz da besta fera
Um príncipe cristão
Recebe o teu poeta, oh bela
Abre teu coração
Abre teu coração
Ou eu arrombo a janela


gosto dessa poesia, apesar da infeliz rima "rolimã/superman". É do disco "o grande circo místico". Foi gravada por Tim Maia. na minha opinião, um disco imperdível.

sexta-feira, janeiro 26, 2007

(R) EVOLUTION



Pessoal vou postar a foto da primeira camiseta que eu pintei pra publicar pra posteridade.

Acho que ficou ruim de técnica, porque nunca tinha pintado tecido, mas a idéia me agradou! Ela se chama (R)EVOLUTION I, o tema é a evolução do Australopitecus até o fab4... Ha ha!!!

O dono da preciosidade é o Ju, meu caríssimo mano..

Se virem algo parecido por aí me avisem. Cobrarei direitos autorais, ora bolas!

terça-feira, janeiro 23, 2007

Embriaguem-se

Embriaguem-se

É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.

Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.

E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vega, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: "É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso" Com vinho, poesia ou virtude, a escolher".



Charles Baudelaire


sábado, janeiro 20, 2007

Não sei quantas almas tenho - Fernando Pessoa


Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.

Fernando Pessoa




[ Singela contribuição :D Abraços! K. Grassi ]

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Alma Errada

Li, gostei, postei.
Poema de Mario Quintana.

Alma Errada

Há coisas que a minha alma, já mortificada não admite:
assistir novelas de TV
ouvir música Pop
um filme apenas de corridas de automóvel
uma corrida de automóvel num filme
um livro de páginas ligadas
porque, sendo bom, a gente abre sofregamente a dedo:
espátulas não há... e quem é que hoje faz questão de virgindades...
E quando minha alma estraçalhada a todo instante pelos telefones
fugir desesperada
me deixará aqui,
ouvindo o que todos ouvem, bebendo o que todos bebem,
comendo o que todos comem.
A estes, a falta de alma não incomoda. (Desconfio até
que minha pobre alma fora destinada ao habitante de outro mundo).
E ligarei o rádio a todo o volume,
gritarei como um possesso nas partidas de futebol,
seguirei, irresistivelmente, o desfilar das grandes paradas do Exército.
E apenas sentirei, uma vez que outra,
a vaga nostalgia de não sei que mundo perdido...

quarta-feira, janeiro 17, 2007

A Classe Operária

Letra de música do Tom Zé. Fabulosa! nem dá pra acreditar que o homem faz música com coisas assim.


Sobe no palco o cantor engajado Tom Zé, que vai defender a classe operária, salvar a classe operária e cantar o que é bom para a classe operária.
Nenhum operário foi consultado, não há nenhum operário no palco, talvez nem mesmo na platéia, mas Tom Zé sabe o que é bom para os operários.
Os operários que se calem, que procurem seu lugar, com sua ignorância, porque Tom Zé e seus amigos estão falando do dia que virá e na felicidade dos operários.
Se continuarem assim, todos os operários vão ser demitidos, talvez até presos, porque ficam atrapalhando Tom Zé e o seu público, que estão cuidando do paraíso da classe operária.

Distante e bondoso, Deus cuida de suas ovelhas, mesmo que elas não entendam seus desígnios.
E assim, depois de determinar qual é a política conveniente para a classe operária, Tom Zé e o seu público se sentem reconfortados e felizes e com o sentimento de culpa aliviado.



Que tal?

Beijos, abraços, e paz pra vocês!

Tradução de canções para português!

Estava pensando sobre as versões que as bandas brasileiras fazem de clássicos do rock/blues/folk.

Pessoamente, não costumo gostar das traduções das letras, porque ficam forçadas, antinaturais, o que acaba comprometendo a versão. É difícil conciliara métrica, a musicalidade, o sentido original, a profundidade e o clima da música. Acho que, muitas vezes, fazer uma boa versão pode dar mais trabalho que compor uma canção nova.

Algumas que gosto por combinarem bem melodia e ritmo e ao mesmo tempo por terem valor individual (opinião pessoal):

"Astronauta de Mármore" do Nenhum de nós para "Starman" do Bowie (apesar da frase "e ver ele e voltar", que é um atentado proposital)

"Tanto" do Skank para "I want you" do Bob Dylan.

Uma que acho horrível é "Você ainda pode sonhar" do Raul Seixas.. Eu adoro Raul, todo mundo sabe, mas acho que ele assassinou "Lucy in the sky with diamonds".

Aliás, citar "desastres" é fácil:

"Solange" do Léo Jaime pra "So lonely" do Police
"De leve" da Rita Lee e do Gilberto Gil pra "Get back" dos Beatles

Na jovem guarda tem coisas horríveis também, geralmente ficava brega... Mas sempre tem excessões

"Lá vem o sol" pra "here comes the sun", com Lulu Santos traduzindo Beatles acho que ficou legal embora a tarefa tenha sido fácil... E a frase "sol sol sol temporão" ficou um tanto bizarra.

"O Passageiro" do Capital inicial pra "the passenger" do Iggy Pop não chega a ser ruim, mas fica bem aquém da original


Enfim Alguém gostaria de citar outras ou comentar essas? :)
ABRAÇOS

domingo, janeiro 14, 2007

Blowin' In The Wind

buenas gurizada, meu primeiro post aqui, então achei interessante resgatar uma música de 1963, se não me engano, de um dos melhores compositores da história, Bob Dylan.
espero que vocês gostem e ah, já postei ela traduzida, acho q da mais impacto da mensagem que ela quer passar...



Soprando no Vento (Blowin' In The Wind) - Bob Dylan


Quantas estradas precisará um homem andar
Antes que possam chamá-lo de um homem?
Sim e quantos mares precisará uma pomba branca sobrevoar
Antes que ela possa dormir na areia?
Sim e quantas vezes precisará balas de canhão voar
Até serem para sempre abandonadas?
A resposta meu amigo, está soprando no vento
A resposta está soprando no vento

Quantas vezes precisará um homem olhar para cima
Até poder ver o céu?
Sim e quantos ouvidos precisará um homem ter
Até que ele possa ouvir o povo chorar?
Sim e quantas mortes custará até que ele saiba
Que gente demais já morreu?
A resposta meu amigo está soprando no vento
A resposta está soprando no vento

Quantos anos pode existir uma montanha
Antes que ela seja lavada pelo mar?
Sim e quantos anos podem algumas pessoas existir
Até que sejam permitidas a serem livres?
Sim e quantas vezes pode um homem virar sua cabeça
E fingir que ele simplesmente não ver?
A resposta meu amigo está soprando no vento
A resposta está soprando no vento


abraços!

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Pergunte ao pó

Trecho de 'Pergunte ao pó' que me levou a ler o livro.
O autor é John Fante. A algum tempo li um texto de Ginsberg e lembrei de Fante.
Mas acho que se alguém influenciou alguem foi Fante, que é anterior a Ginsberg.


"Um tira não vai dete-lo por vadiagem em Los Angeles se você vestir uma camisa pólo elegante e um par de óculos esccuros. Mas se tem pó nos sapatos e o suéter que usa for grosso como os suéters usados nas terras nevadas, ele vai agarra-lo. Portanto, rapazes, arranjem uma camisa pólo e um par de óculos escuros e sapatos brancos, se puderem. Adotem um figurino universitário. Isto os levará por toda parte. Depois de um tempo, depois de grandes doses do Times e do Examiner, vocês também irão fazer algazarra no sul ensolarado. Vão comer hamburgueres, ano após ano, e viver em apartamentos e hotéis empoeirados, infestados de vermes, mas toda manhã vão ver o poderoso sol, o eterno azul do céu, e as ruas estarão cheias de belas mulheres que vocês nunca possuirão e as noites quentes e semitropicais recenderão a romances que vocês nunca vão viver, mas ainda assim estarão no paraíso, rapazes, na terra do sol."

Flores Horizontais

Flores Horizontais,
flores da vida
flores brancas de papel,
da vida rubra de bordel,
flores da vida
afogadas nas janelas do luar
carbonizadas de remédios, tapas, pontapés,
escuras flores puras, putas, suicidas, sentimentais.
Flores horizontais.
Que rezais?

Com Deus me deito.
Com Deus me levanto


(Oswald de Andrade / Zé Miguel Wisnik)




(Sugiro que ouçam isso na voz de Elza Soares. é de cortar o coração, mas é lindo de doer.


Beijos,

Lara

ps. Clóvis, você roubou o que seria minha primeira contribuição ao blog. por isso, mando esta, que também é especial)

Jorge de Capadócia

Jorge sentou praca na cavalaria, e eu estou feliz porque eu tambem sou da sua companhia.
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge, para que meus inimigos tenham pés, e nao me alcancem. Para que meus inimigos tenham mãos, e não me peguem, não me toquem. Para que meus inimigos tenham olhos, e não me vejam, e nem mesmo um pensamento eles possam ter para me fazerem mal.

Armas de fogo, meu corpo não alcancarão. Facas, lanças se quebrem, sem o meu corpo tocar;
cordas, correntes se arrebentem, sem o meu corpo amarrar; pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge.

Jorge é da Capadócia, viva Jorge.

Perseverança, ganhou do sórdido fingimento; e disso tudo nasceu o amor.



Belíssima letra do Jorge Ben (na época que ainda não era BenJor). Gosto muito dela, tem um conteúdo forte, e uma forma interessante, que lembra uma oração. Espero que gostem! Beijos, abraços e paz pra vocês.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Dica para postagens!

Olá amigos

Para quem quer criar postagens novas e ainda não sabe como:

1) Clicar no logo "I Power Blog", à esquerda, abaixo de "Archives".
2) Em "blogger antigo", fazer login!
3) Clicar na cruzinha verde para criar novo post
4) Digitar ou colar o texto, Anexar foto/link/etc se for o caso.
5) Ver se ficou bom em "Preview", à direita da caixinha
6) Publicar postagem!

Abraços

Psicodália de Carnaval


Para quem pensa como a Elis, que carnaval era aquilo que acontecia até os anos 50, e que sempre procura um motivo pra "fugir" no feriado de carnaval...

"Psicodália de carnaval"

São quatro dias, de 17 a 20 de fevereiro, em São Martinho/SC (Serra do Tabuleiro).
“Um lugar alucinante de muita natureza e musica psicodélicas (...), simplesmente lindo, com trilhas e cachoeiras”

Programação: shows, oficinas de Arte, meio Ambiente, teatro e equipes de recreação, malabares, etc.

BANDAS CONFIRMADAS: SERGIO DIAS (dos mutantes), Casa de Orates, O Sebbo, Sopa, Kaigang, Seres Intelegíveis vindos do Hiperurano, Gato Peto, Goya, Os Depira
Plá, Variantes, Sopro Difuso e mais 11 bandas selecionadas...

INGRESSO (pros 4 dias): até 26/01/2007 - R$ 55; até 17/02/2007 - R$ 65

EXCURSÕES: casadeorates@gmail.com

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Opinião sobre as moscas / Parte II

Pessoalmente, considero que falar abertamente da mediocridade é uma forma de estar acima dela, de envergonhá-la. Sinto como uma honesta demonstração de energia, de vitalidade rir dos próprios defeitos. Também pode ser um sinal de saúde, apesar de tudo, ter consciência de que damos importância demais às aparências, ao status social, aos bens de consumo e às inutilidades ruidosas do nosso dia-a-dia frente ao amor, à amizade, à sensibilidade, à aventura e a tudo que é autenticamente humano.

Sinal de alegria, porque faz lembrar que as coisas não precisam ser como são. Que, independente de, como dizem, o mundo ser "errado", cheio de infortúnios, cheio de “injustiças”, eu posso transformar o meu ambiente, meu pequeno mundo, em como eu gostaria que ele fosse (Nothing is gonna change my Word). Justamente pelo fato de que minhas concepções são diferentes da média é que elas possuem mais valor. E minhas atitudes têm valor quando prestam contas às minhas mais verdadeiras concepções, não às concepções da média.

Por isso é tão importante não apenas viver intensamente, mas pensar um pouco no que significa viver intensamente... E sentir que não apenas se sobrevive, mas que se vive de fato. E viver momentos intensos. Intensamente tranqüilos, intensamente brandos, intensamente agitados, alegres ou indignados como um bom rock, intensamente sensuais, dolorosos ou deliciosos como um bom blues. Compartilhemos opiniões, situações, vivências. A regra é não fazer da vida uma regra, mas uma descoberta, o pasmo essencial de uma criança frente a cada novo e maravilhoso mundo.

Opinião sobre as moscas / Parte I

Estamos por aí, como moscas. Encontramo-nos muitas vezes aos pares, aos quartetos, avulsamente. E nos encontramos tantas vezes aos bandos, mas no piloto automático, esbarrando-se, como nos mercados públicos e shoppings da vida. Alienadamente. Penso em como é marcante quando pessoas se reúnem em autêntica sintonia, expressando socialmente suas individualidades! Pena que isso ocorra tão excepcionalmente e, no mais das vezes, por acaso. Aleatoriamente. Penso que existe pouco espaço para coisas como saraus. Não que o espaço não exista, mas tudo tende a cair na banalidade do cotidiano. Vivemos para produzir-consumir, produzir-consumir, “em função do labor”, diria Hanna Arendt. Nossas vidas tendem a diluir-se nesta rotina mórbida, lúgubre.

Somos individualistas demais, no sentido pejorativo, mesmo quando estamos aos bandos. Cercamo-nos de muros e grades, mergulhamos num estado de espírito opressor e superficial. Não todos, não o tempo todo (que bom), mas a maioria quase sempre. Fazemos piadas, rimos à beça de bobagens, vamos a festas e fugimos momentaneamente da monotonia. Pensamos e concluímos que não há motivos para não estarmos felizes. Temos emprego, trabalho, amigos, fazemos festa no sábado, as coisas estão encaminhadas. Fica, porém, aquela angústia de fundo. Algo está errado... E a aventura da vida? É só isso? Não poderia ser mais, muito mais? Então sofremos sem saber cosncientemente porque, ou então nos repreendemos intimamente por tudo que poderíamos ter sido, por tudo que poderíamos ter feito, etc. Não sofremos porque coisas ruins nos acontecem, mas porque é tudo muito... normal.

Questionam ainda o porquê de coisas como "depressão", doença extremamente recente, que agora atinge até os mais jovens, aqueles de quem, por definição, poder-se-ia esperar um pouco sangue quente! Mas nunca antes fomos tantos nas cidades, nunca antes andamos tanto em bandos e nunca antes fomos tão sozinhos. Tão autômatos, tão iguais. E como somos apáticos! Santo sangue de barata, Batman! Onde estão as individualidades? Ó amigo, o que tens de verdadeiro, de cristalino, de especial, de único? Somos medrosos, medrosos demais. Talvez esse comentário possa ser entendido como pessimista. Entendo que assim se pense. Não é, porém, a intenção, muito pelo contrário...

Continua no próximo capítulo

terça-feira, janeiro 02, 2007

D E U S

Para fechar essa série de Fernando Pessoa!

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O Guardador de Rebanhos
Parte V

Há metafísica bastante em não pensar em nada

O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma

E sobre a criação do Mundo?
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?

"Constituição íntima das cousas"...
"Sentido íntimo do Universo"...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.

Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.

O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.

Alberto Caeiro, 1911